Então, pergunta você...o que muda, além do nome? Podem parecer pequenas coisas, mas são de extrema importância. Vejamos de forma pragmática, alguns princípios:
- Todos aqueles modelos que tem guardados no seu computador, que iniciam a carta por "Venho por este meio, responder ao seu anúncio xpto" devem ir já para uma pasta chamada "reciclagem"!
- Por outro lado, por muito úteis que sejam outros modelos que tenha, evite sempre usar modelos. No mundo do trabalho queremos marcar pela diferença e usar modelos é um facilitismo e é ser igual a outros (a probabilidade de outras pessoas usarem exactamente o mesmo modelo é muito elevada...pense nisso!)
- Repare: A carta é o elemento que chega primeiro ao alcance visual do recrutador, mesmo antes do CV. A carta de motivação vai permitir-lhe apresentar a candidatura, anexar o CV, descrever as suas motivações e habilitações profissionais e solicitar a realização de uma entrevista. A carta de motivação é o seu primeiro espaço de marketing pessoal!
- Use papel A4 liso e branco e tinta preta para a impressão. Não use "macaquinhos" ou "rodriguinhos", nem qualquer tipo de floreado. Utilize uma letra standard (Arial, Times New Roman ou semelhante), num tamanho entre 11 e 12 e texto devidamente justificado, com um espaçamento entre linhas de 1,5.
- Uma "carta de apresentação", de resposta a um anúncio, antigamente, teria apenas duas linhas. Uma carta de motivação pode ter 2 a 3 parágrafos. Deve evitar ao máximo utilizar mais de uma página. Se puder use apenas 75% de área útil de uma página, mantendo as margens em branco e o espaçamento agradável à leitura. Lembre-se que o recrutado poderá ter centenas de páginas para ler e se lhe aparecer uma carta sobrecarregada poderá causar uma péssima primeira impressão! A capacidade de síntese, o pragmatismo e uma visão clara são imprescindíveis e dizem muito acerca da pessoa em causa.
- O formalismo deve constar em qualquer tipo de carta. Não usar calão, formas gramaticais complexas ou expressões estrangeiras. Manter o "Exmo(a) Sr. (a)", se possível personalizando a carta (com o título académico da pessoa, o cargo ou o nome). Obviamente, deve rever atentamente a carta e verificar se tem erros ortográficos (não acredite apenas no corrector ortográfico!).
- Em resumo, uma carta de motivação de resposta a um anúncio de emprego, tem sempre de conter os seguintes elementos: (1) a identificação do candidato; (2) identificação do anúncio, data, fonte e respectiva referência; (3) Deve ser endereçada à pessoa certa e indicar como soube da vaga a que está a concorrer; (3) Deve demonstrar as suas motivações, qualificações, competências e aspirações para fundamentar a candidatura, (4) deve referenciar que o C.V. segue em anexo; (5) quase no final da carta, o candidato deve manifestar disponibilidade para a prestação de provas ou entrevistas, (6) Antes ou depois da assinatura, deve colocar-se a data e local onde está a redigir a carta e, por fim, (7), redige-se a despedida e a assinatura (elemento imprescindível e que deve ser sempre manuscrito!).
- Os seus preciosos 2 a 3 parágrafos têm de dizer o mais importante sobre si próprio: o que tem feito, que sucesso tem tido e para onde quer levar a sua carreira. Ressalte os seus feitos e pontos fortes bem como duas ou três características pessoais marcantes (nunca minta!). Exponha as suas competências e motivações sem medo, dando à carta um tom positivo a seu respeito (nunca caia no erro de dizer "Estou mesmo muito motivado porque estou desempregado há muito tempo"!). Apresente argumentos diferenciais, ou seja, em que é que a empresa ganhar por contratar a si e não a outros! Se tiver espaço, apresente algumas das suas experiências anteriores e respectivos resultados (um exemplo "Em 2005, fui coordenador no Projecto "Subir na Vida" que obteve uma taxa de 90% de inserção profissional dos formandos").
- Principalmente em cartas de motivação espontâneas, deve mostrar algum conhecimento acerca da empresa (e/ou do sector) para a qual está a enviar a carta. Use apenas uma a duas linhas para este assunto, logo no início da carta.
- Em vez de usar cartas em papel, poderá enviar a carta via e-mail. No caso das candidaturas espontâneas, há quem defenda que têm maior probabilidade de ir rapidamente para o lixo. A decisão é sua: com o e-mail poupa o ambiente e poupa alguns cêntimos mas usar a carta em papel não impede desta ir para o lixo na mesma. Tudo depende do tipo de empresa. Se se trata de uma empresa com site na internet e com endereços de e-mail bem sinalizados, penso que o mais acertado é enviar por email (se possível, pedindo confirmação da recepção).
- Se decidir usar então o correio electrónico, coloque a referência do anúncio no assunto, para evitar extravios. A partir daqui pode agir de duas formas: ou coloca o texto da carta de motivação no e-mail ou faz um documento anexo em Word. Pessoalmente, prefiro a primeira opção, ou seja, inserir a carta no corpo do e-mail, enviando apenas o CV em Anexo, mas mantendo todos os elementos da carta já referidos acima. No caso de enviar por e-mail não poderá assinar a carta de forma manuscrita. Pode optar por colocar o seu nome a itálico para um "ar mais manuscrito". Se utilizar a opção de anexar uma carta, poderá digitalizar a sua assinatura e colocá-la na carta, porém, neste caso, opte por transformar o documento num PDF (com as opções de segurança no máximo, permitindo apenas a impressão): desta forma não corre o risco da sua assinatura, que está em formato de imagem, mudar de sítio e, por outro lado, protege que alguém use a sua assinatura indevidamente (os crimes de roubo de identidade são muito frequentes!).
- Existem ainda muitas empresas e consultoras de recrutamento e selecção que gostam de ver uma carta manuscrita. Apesar de não estar devidamente fundamentada cientificamente, alguns profissionais poderão até ter formação em Grafologia (arte que se dedica a correlacionar a escrita com a personalidade da pessoa). Se lhe for pedida a carta manuscrita, envie. Não pense que é apenas um capricho do recrutador, pois este pode ser considerado um factor eliminatório. Faça alguns testes sobre uma folha de linhas (para que as frases não surjam "tortas") e depois redija a carta final numa folha A4 branca. No final, tem de aparecer um formato muito semelhante ao que surgiria se a carta fosse feita no computador, mantendo o espaço das margens vazio. Não tente falsear a sua letra em demasia, tente apenas escrever a carta calmamente. Como é óbvio, não utilize "desenhinhos" como, por exemplo "smiles" (:-)) ou corações nos "i"! Evite também abreviaturas ou "neologismos da internet".
- Se se considera uma pessoa criativa e divertida, poderá reflectir isso na sua despedida, ao invés de optar pelo clássico "Melhores Cumprimentos" ou "Atentamente". Por exemplo, se está a concorrer a uma empresa que opera no ramo ambiental, poderá despedir-se com "Saudações Ecológicas". Sem cair em exageros, uma linha simpática poderá animar e recrutador e fazer com que não se esqueça de si!
