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Falta de tempo já não é desculpa para não frequentar formação: Viva o E-learning!

Escrito por  Patrícia Araújo
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No passado dia 16 de Abril, tive a oportunidade de frequentar um seminário da TecMinho, denominado "VI Conferência e-learning" organização pela TecMinho (Universidade do Minho).

O leitor já teve a possibilidade de frequentar alguma formação em e-learning? Não? Então, está mesmo na hora.

O formato de aprendizagem totalmente online tem vindo a ganhar força na formação, seja na formação profissional e orientada para o aperfeiçoamento contínuo, seja na formação inicial, por exemplo, nas universidades.

Engana-se quem pensa que, por exemplo, a Universidade Aberta sempre funcionou por e-learning. Aqui temos de marcar uma grande diferença. Já há bastantes décadas que existe "formação à distância", exemplo disso é a referida Universidade e ,por exemplo, os cursos que funcionam por envio de manuais para casa. Só recentemente se fala em "formação a distância". Repare, "formação a distância", sem acento no "a". Pode parecer um preciosismo, mas a diferença é enorme.

Na "formação à distância" em pessoas estavam mesmo à distância, os livros chegavam no correio, ocasionalmente agendavam-se encontros pessoais com professores ou tutores e, numa fase posterior, poderia realizar-se apoio/tutoria via telefone. Na "formação a distância" as pessoas poderão estar geograficamente distantes, porém estão online, no mesmo espaço, num espaço virtual.

As plataformas desenvolvidas especificamente para e-learning vieram possibilitar este contacto no momento (sessões síncronas), num mesmo espaço virtual, de pessoas que se encontram a quilómetros de distância.

O e-learning veio possibilitar a aprendizagem em qualquer sítio a qualquer momento, poupando custos aos formandos e economizando tempo.

Devemos fazer ainda outra distinção: a diferença entre e-learaning e b-learning. B-Learning significa Blended-learning, ou seja, uma acção neste formato tem sessões presenciais e sessões online, daí ser "blended", ou se preferirmos, uma acção mista.

Obviamente, nada disto seria possível se não fosse pela evolução da tecnologia. Como diz José Bidarra (cit in Dias & Gomes, 2008), "redes de banda larga, potentes microprocessadores e a vasta capacidade de armazenamento levam a crer que existe um enorme potencial para aplicações multimédia interactivas no ensino-aprendizagem em rede".

Há uns meses atrás participei na minha primeira acção de formação por e-learning, correctamente planeada e organizada. Estava, na altura, a trabalhar em Angola e a frequentei essa acção de formação (para renovação do CAP [Certificado de Aptidão Profissional] de formador) num instituto de formação em Braga e estava em rede com formandos de todo o país (por acaso, eu era a única que me encontrava fora de Portugal!). Já no passado havia frequentado outros formatos mais empobrecidos, mas agora finalmente é possível encontrar formações ricas, com metodologias variadas. Há alguns anos, as acções de e-learning que frequentei limitavam-se à simples "aprendizagem solitária": o formando descarregava uns manuais, estudava, e no final realizava uma sessão de avaliação online ou redigia um trabalho reflexivo final.

Hoje em dia, podemos encontrar imensas actividades que podem ser desenvolvidas numa acção de formação via e-learning. Compilei uma pequena lista baseada na obra de Dias & Gomes (2008):

  • Equipas de projecto, com objectivo definido
  • Pesquisa de informação, guiada por objectivos
  • Debates de ideias síncrono (através de chat)
  • Debates de ideias assíncrono (através de fóruns de discussão)
  • Actividades programadas (assignments)
  • Videoconferências (Masterclass)
  • Audioconferências (Masterclass)
  • Geração de ideias (Brainstorming)
  • Comunidade de prática (Networking)
  • Resolução de problemas (PBL - Problem based Learning)
  • Simulação ou jogo (Game Based Learning)
  • Criação de um blog ou outro tipo de site (dirigido por objectivos)
  • Estudo de caso (com ou sem PBL)
  • Elaboração de um diário de aprendizagens
  • Elaboração de um relatório (estado da arte, experiência, etc.)
  • Preparação de uma análise crítica (de um livro, site, vídeo, etc)
  • Elaboração de um plano ou proposta de trabalho científico
  • Preparação de mapas conceptuais ou cognitivos
  • Organização e apresentação de um portefólio para avaliação

Muitos ainda são os resistentes, que lutam contra a aprendizagem através das tecnologias. Durante muito tempo a pedagogia e a tecnologia pareciam ser as grandes rivais deste novo tempo. Professores queixam-se constantemente que a tecnologia veio trazer aos alunos distracção, formas avançadas de "copianço" e aprendizagem pouco fundamentada (digamos, uma espécie de cultura via wikipedia!). Porém, cabe a nós, seres humanos em constante adaptação, colocar a tecnologia ao serviço da pedagogia.

Tanto para formandos como para formadores, os tempos mudaram. Não basta aos formandos sentarem-se na sala de formação e ficar lá "x" horas a ouvir e a realizar algumas dinâmicas. Não basta aos formadores preparem uma sessão.

O e-learning incentiva ao contacto entre formandos e entre formador e formandos, a qualquer hora do dia. Apesar de nunca ter sido e-formadora (note-se que para tal, convém frequentar uma acção de formação especifica), como professora já criei um blogue de apoio às aulas que tem feito bastante sucesso junto dos alunos. Diminuem as filas para tirar fotocópias de elementos de estudo, poupa-se tempo e até se poupa o ambiente porque existe uma selecção mais atenta do que realmente é necessário imprimir.

Desengane-se também quem pensa que frequentar acções de e-learning é mais fácil! Num estudo apresentado na conferência de e-learning, foi feita uma avaliação da satisfação dos alunos que frequentaram acções por e-learning. Curiosamente, envolviam-se tanto nos assuntos em debate que acabavam por passavam até mais tempo do que o programado para aquela acção de formação. As metodologias de avaliação também foram adaptadas a estas acções. Avaliações ponderadas são bastante comuns: por exemplo, realização de testes online, trabalhos finais e participação em fóruns de discussão poderão ser três elementos que compõem uma média para a nota final do formando.

Se você é daquelas pessoas que está sempre a utilizar a desculpa do tempo para não se actualizar, essa desculpa acabou. Existem diversas empresas de formação (em Portugal e no estrangeiro) com acções em e-learning e b-learning, e algumas empresas só trabalham com formação por e-learning. Algumas universidades (incluindo a Universidade Aberta) já possuem plataformas de e-learning, sendo a mais comum a plataforma Moodle. Num outro nível, também já existem mestrados e pós-graduações diversas neste formato. Assim, pode gerir o seu tempo, realizar as tarefas de madrugada se preferir, poupar o seu carro e gasolina e até frequentar aulas de pijama!

Experimente!

Para consultar o site da conferência de e-learning, visite:
http://www.tecminho.uminho.pt/shownews.php?id=213
Referências bibliográficas:
Dias, A. & Gomes, M. Coord. (2008). E-conteúdos para e-formadores. TecMinho. Universidade do Minho. ISBN 978-972-8600-21-1

«Graças ao nosso sistema de livre iniciativa e aos avanços fenomenais no marketing, encontramo-nos agora no limiar de uma nova era quando o palato americano, estimulado por iguarias anteriormente reservadas apenas a um Mecenas, erguerá um dia uma torcha gustativa para o mundo inteiro.»

S. J. Perelman, humorista


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Úlima modificação em Quarta, 29 Dezembro 2010 16:30
Patrícia Araújo

Patrícia Araújo

Patrícia Araújo é Escritora, Consultora de RH e Formadora. É Psicóloga (Membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses) e Mestre em Psicologia Organizacional pela Universidade do Porto e paralelamente é professora de Yoga., exerce consultas de psicologia (orientação psicologia positiva-humanista), sendo também docente universitária. Contacto: pattaraujo@gmail.com

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