A sociedade cada vez mais sensível às problemáticas sociais e face a isto, a ONU (Organização das Nações Unidas) fixou o dia 5 de Dezembro como o «Dia Mundial do Voluntariado», considerando que o trabalho dos voluntários é uma importante contribuição para as actividades socioeconómicas em todas as partes do Mundo. Em Portugal, existem já diversas entidades dedicadas a este tema, nomeadamente o Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado (CNPV), entidade a quem compete desenvolver as acções indispensáveis à promoção, coordenação e qualificação do voluntariado (criada pelo Decreto-Lei n.º 389/99, de 30 de Setembro).
A palavra voluntariado provém do Latim, da palavra vontade. O art.º 2.º da Lei n.º 71/98, de 3 de Novembro, define-o como "o conjunto de acções de interesse social e comunitário, realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projectos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade, desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas. Não são abrangidas pela presente Lei as actuações que, embora desinteressadas, tenham um carácter isolado e esporádico ou sejam determinadas por razões familiares, de amizade e de boa vizinhança".
Todavia, a noção de voluntariado está cada vez mais rica e alargada.
Durante muito tempo o voluntariado foi pensado num nível altruísta, num dever ou obrigação para com o outro, muito próximo da noção de caridade.
Porém, hoje em dia, observa-se uma feliz inversão: cada vez mais as pessoas que participam em organizações como trabalhadores voluntários sentem esta experiência como uma actividade que provoca bem-estar no voluntário, uma sensação de realização que muitas vezes não é obtida no campo profissional ou familiar.
Cada vez mais, o voluntariado serve para colmatar lacunas nas duas partes envolvidas: quem precisa de ajuda é ajudado, e quem ajuda o outro, a ajuda-se a si mesmo também.
O Voluntariado sempre esteve correlacionado com as Organizações sem fins lucrativos, ideia que está a ver os seus últimos dias. Cada vez mais empresas estão a aderir a um novo tipo de formato: o Voluntariado Empresarial, englobado em iniciativas de Responsabilidade Social das Empresas.
Por outro lado, cada vez mais países estão a adaptar o sistema judicial. Ao invés de condenar pessoas que cometeram crimes ou ilegalidades a penas de prisão ou de multa, condenam-nas a "serviço voluntário á comunidade". Claro que, neste caso não existe um pleno voluntariado, pois isso implica sempre que a pessoa esteja envolvida no processo com total e plena vontade. Porém, além de ajudar a comunidade, a própria pessoa vai confrontar-se consigo própria e muitas vezes, este processo poderá provocar uma mudança nas atitudes. Para que isto funcionasse plenamente, seria necessário um acompanhamento reflexivo do "voluntário" forçado, para que este reflectisse sobre a ilegalidade que cometeu e sobre a experiência de serviço à comunidade.
Provavelmente, neste momento, estará a pensar: "mas, se for voluntário, isso faz parte da minha carreira?". Na minha opinião, sim. Eu sou a favor da colocação de todas as experiências no CV. Aliás, Curriculum Vitae, significa a história da sua vida, o seu percurso e, eu pessoalmente, coloco todas as experiências de voluntariado no meu CV. Pode criar um espaço especial para essas experiências, ou colocá-lo normalmente na experiência. Apesar de não remunerada, são experiências de trabalho!
Ao contrário do que se pensa, nem sempre o voluntariado é "grátis". Não existe salário ou remuneração, mas em muitos casos existem pequenas bolsas para os voluntários, de forma a cobrir despesas básicas.
Neste campo, falo por experiência própria: Há mais de 15 anos tive oportunidade de viver a minha primeira experiência num programa de voluntariado do Instituto Português da Juventude, através de uma associação juvenil.
Tínhamos como objectivo promover iniciativas nessa associação, desde festas convívio de idosos e outras populações, sensibilização, promoção do desporto nos jovens, apoio administrativo, etc. Recebia na altura uma pequena bolsa que, bem gerida, pagava as minhas despesas de deslocação, alimentação e pessoais.
Graças a esse primeiro contacto de voluntariado, acabei por participar noutros eventos, por exemplo, em intercâmbios educativos na Áustria e na Estónia, dirigir um jornal associativo e ser eleita para os corpos gerentes dessa associação, depois de frequentar uma acção de formação para dirigentes associativos. Engraçado é dizer que, enquanto estive no programa de voluntariado, recebia uma bolsa, depois participei muitos mais anos nessa associação como voluntária sem receber qualquer bolsa, mas com muito gosto! Essa experiência marcou-me como pessoa, alargou a minha rede de contactos, forneceu-me competências que eu não possuía bem como experiências inesquecíveis.
Pondere se não seria bom experimentar. Existem muitos sites onde se pode inscrever e participar e muitos deles respeitam a disponibilidade horária dos voluntários. Escolha um projecto que lhe agrade. Se desejar poderá usar as suas competências profissionais, se achar melhor contribuir numa outra área isso será muito enriquecedor.
É provável que pessoas mais materialista do seu círculo o julguem, por estar a fazer trabalho voluntário, pois ainda existe esse preconceito.
E note que, deve dedicar-se a um trabalho voluntário se realmente o desejar e se tem condições para tal. O trabalho voluntário pode substituir em parte as vantagens de um emprego remunerado, mas não se aliste como voluntário enquanto estiver desempregado, ou pelo menos não faça voluntariado 40h por semana. Sou da opinião que só deve pensar em ser voluntário, quando tiver um posicionamento mental de alguma estabilidade. Por outro lado, nunca encare as pessoas que vai ajudar como "coitadinhos": eles são seres humanos a precisar de apoio e ajuda naquele momento das suas vidas.
Um outra nota: Nem todo o voluntariado se dirige a seres humanos e ser voluntário em associações de protecção dos animais é também muito gratificante!
Poderá ser surpreendido pelo facto de muitos programas de voluntariado terem listas de espera. É verdade! O campo da saúde parece ser um dos mais concorridos. Por exemplo, são vários os hospitais que têm um processo rigoroso na admissão de voluntários e cujas vagas estão sempre preenchidas.
Se este tema lhe interessa, poderá participar nas conferências e workshops do próximo dia 28 de Abril de 2010. Este evento comemora do Dia do Voluntario da Universidade do Porto e é organizado pela Reitoria da universidade do Porto.
Para participar nas conferências e Workshops da Universidade do Porto para o Dia do voluntariado a decorrer em 28 de Abril de 2010, visite: www.up.pt (Reitoria da UP), descarregue o programa e a ficha de inscrição e participe gratuitamente.
http://www.voluntariado.pt/
http://juventude.gov.pt/Portal/Voluntariado/
http://www.bolsadovoluntariado.pt/

