De acordo com estimativas do sector os telemóveis são já utilizados por cerca de 2 mil milhões de pessoas em todo o mundo. Desse total, mais de 500 milhões usam um aparelho que emite campos electromagnéticos conhecido como Global System for Mobile Communications, ou seja, o GSM.
Actualmente, já se descreveu a noção de "Nomofobia", ou seja o medo incontrolável de ficar incontactável, seja por ficar sem bateria, sem rede ou sem saldo no telemóvel (Ferreira & Balsinha, 2010). Este problema foi baptizado de "Nomofobia" através das palavras inglesas "No Mobile", ou seja, sem telemóvel (funcional).
Uma pesquisa feita Reino Unido constatou que 58% dos homens e 48% das mulheres já sofrem deste problema. Apesar de não ser considerado ainda uma fobia no termo psicopatológico da palavra (para isso teria de ser incluída no Dicionário de Saúde Mental [DSM]) muitos psicólogos e psiquiatras já acompanham clientes que convivem com esta realidade.
Os telemóveis invadiram os negócios e com este fenómeno, surgem as questões de ética e etiqueta.
Há bem pouco tempo, a norma de etiqueta básica era: Desligue o telemóvel se está numa reunião, no cinema, no teatro, etc. Mas tudo se tornou mais complexo, à medida que o telemóvel se tornou um meio de comunicação essencial para o mundo dos negócios.
Cada vez mais países estão a regulamentar o uso do telemóvel em diversos contextos (espaços públicos, condução automóvel, etc.). Um restaurante em Chicago (Estados Unidos da América) chegou ao extremo de afixar um cartaz que diz "restaurante livre de telemóveis" e qualquer pessoa que use um telemóvel é imediatamente convidado a sair.
Apesar de lhe parecer a ferramenta mais importante para fazer negócios, pode também ser o caminho mais rápido para lhe destruir um negócio ou mesmo a sua carreira!
Vejamos as regras essencias de etiqueta do uso de telemóvel:
- Use o seu telemóvel em público apenas quando absolutamente necessário.
- Mantenha o telemóvel desligado ou em modo de vibrar em restaurantes, teatros, edifícios institucionais e governamentais e em encontros sociais
- Desligue o telemóvel antes de entrar numa reunião. Se tem mesmo de o manter ligado opte pelo modo de vibração e explique aos participantes o motivo pelo qual o vai manter ligado logo no início da reunião (por exemplo, "se me permitem, vou manter o meu telemóvel ligado, pois estou a aguardar uma chamada muito importante"). Este princípio aplica-se a qualquer cargo ou função, seja qual for a hierarquia: ninguém está dispensado.
- Se a tal chamada importante surgir, peça licença e afaste-se um pouco da mesa de reuniões. Se as divisórias são de vidro poderá conversar fora da sala de reuniões.
- De preferência, não atenda chamadas pessoais durante o horário de trabalho.
- É inconsciente a tendência para aumentar o volume da voz, o que é totalmente desnecessário com a tecnologia de hoje em dia. Seja discreto e fale baixo, pois a conversa só interessa a quem está do outro lado da linha!
- Principalmente em chamadas profissionais, assim que inicia o contacto, deve perguntar se aquele é um momento oportuno para conversar.
- No ambiente profissional utilize o telemóvel apenas efectuar e receber chamadas. As funções de jogos, música e outras estão reservadas para os seus tempos livres.
- A forma como atende o telemóvel (ou telefone) é determinante para a sua imagem e reputação profissional. È usualmente aconselhado atender a chamada entre o segundo e terceiro toque. Esforce-se sempre por usar de um tom de voz entusiasta e contente por receber aquela chamada.
- Se possível, memorize no telemóvel os números das pessoas a quem quer causar boa impressão. Já há bastante tempo que não faz sentido atender e perguntar "Sim, quem fala?". Nunca se esqueça com quem está a falar e trate sempre as pessoas pelo nome e título.
- Se acha que se vai esquecer de algo, anote tudo. Para facilitar este processo, ande sempre com um pequeno bloco e caneta no bolso, ou então, assim que desligar a chamada coloque uma "lembrança/nota" na agenda do telemóvel. Em alguns modelos é possível gravar lembranças de voz, o que é bastante útil.
- Se está a conduzir, pare o carro de lado para falar calmamente. Mesmo com auricular nunca estará concentrado plenamente na chamada e isso pode reflectir-se facilmente para a pessoa que está do outro lado.
- Evite usar os contactos de telemóveis de clientes ou parceiros de negócios para outros motivos que não motivos profissionais.
- Acidentes acontecem: Pegar num telemóvel de alguém sem querer por ser exactamente igual ao seu, pedir a alguém emprestado o telemóvel e ver, sem querer alguma informação, ligar para alguém com nome semelhante por engano, etc. Mantenha as mesmas regras de respeito pelo outro, confidencialidade e ética como noutra qualquer situação.
- Quando não pode atender chamadas ou quando tem o telemóvel desligado, as mensagens seguem para a caixa de correio de voz, por isso, deve gravar a sua mensagem de voz personalizada. Mantenha a mensagem simples, clara mas eloquente (a excepção a esta regra existe apenas para profissionais do ramo criativo ou entretenimento: apesar de não se dispensar a eloquência, poderá usar efeitos sonos ou algum humor!). Identifique-se claramente e ofereça opções como, por exemplo, deixar mensagem, contactar mais tarde, contactar outro número ou enviar email para o seu correio electrónico (e relembre o endereço!). Se realmente devolve as chamadas a quem lhe deixa mensagens diga isso, se não tem por hábito devolver chamadas, não diga! Se vai de férias ou vai estar ausente, actualize a mensagem de voz. E claro, nunca se esqueça de consultar o correio de voz.
- Apesar de ainda polémicos, são muitos os estudos cientificos já alertaram para o efeito das ondas electromagnéticas no cérebro, já que estas sobrecarregam a parte do córtex cerebral que fica mais próxima do equipamento. Sem querer assustá-lo, redigi um breve resumo de algumas das conclusões desses estudos: (a)O uso de telemóveis por adultos durante 10 anos ou mais duplica o risco do cancro de cérebro; (b) o uso do telemóveis antes de dormir provoca insónias, dores de cabeça e dificuldades de concentração; (c) a acção das ondas electromagnéticas afectam as zonas do cérebro responsáveis pela coordenação e activação do estado de stress, crucial para o funcionamento do sistema nervoso central em todas as situações; (d) regista-se aumento de ansiedade em jovens adolescentes; (e) pessoas que sofrem de doenças como a epilepsia podem ser mais afectadas; (f) mulheres grávidas que abusem do uso do telemóvel, poderão ter filhos com riscos acrescidos de problemas emocionais, dificuldades em relacionamento, desordens de atenção/hiperactividade e problemas comportamentais diversos; etc.
- Lembre-se que o telemóvel foi criado para o servir e não o contrário. Não se deixe escravizar pela tecnologia...
Referências Bibliográficas:
Ferreira, A. & Balsinha, J. (2010). Medo de ficar sem telemóvel já é uma doença. Diário de Notícias: 10 de Janeiro de 2010. Acedido em Abril de 2010 e Disponível em http://maria-jesuscandeias.blogspot.com/2010/01/dn-fobia-medo-de-ficar-sem-telemovel-ja.html
