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Pare, escute e olhe! A arte de bem conversar em ambiente de negócios

Escrito por  Patrícia Araújo
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Em todos os momentos negócios há o chamado "momento morto".
É o momento que não é próprio para fazer negócios, mas sim para preparar o ambiente, dar o tom certo, conquistar o convidado (que pode ser um cliente ou parceiro) e saber "fazer sala". Também se aplica como arte de finalização: no final de uma longa reunião, de negociações detalhadas ou outras situações, é necessário imprimir um ambiente informal.
Noutras situações, por exemplo, numa fase inicial de uma entrevista de selecção, também se aplica a arte de conversar.
Além de se aplicarem os princípios das técnicas da comunicação no trabalho, a arte de conversar envolve o interlocutor e oferece um pouco da nossa personalidade. Isto porém pode agir negativamente e o "feitiço pode virar-se contra o feiticeiro". Todos pensamos que somos bons conversadores, mas nem sempre é assim... Sem querer, podemos transformar uma oportunidade de negócios, num grande embaraço.

Jonathan Swift (1667-1745), autor irlandês mais conhecido pela obra "As Viagens de Gulliver", descreveu os dez pecados mortais contra a arte de bem conversar:
  1. A desatenção de quem ouve.
  2. O mau hábito de interromper e a de falar ao mesmo tempo.
  3. A precipitação de mostrar que se tem espírito ou cultura.
  4. A vontade de querer dominar a conversa e o assunto.
  5. Pedantismo.
  6. A falta de seguimento na conversa.
  7. O espírito de contradição.
  8. O vício de sempre querer fazer piadas.
  9. A falta de calma na apresentação de argumentos.
  10. Trazer a baila assuntos pessoais em detrimento dos de ordem geral.

Reflicta um pouco sobre cada um deles.

Uma regra essencial é o "Pare, Escute e Olhe". Pare uns segundos, reflicta sobre quem é o seu interlocutor, escute-o activamente, olhe profundamente para ele, não se distraia, deixe-se envolver realmente na conversa.

Além disso, no campo empresarial, é importante saber sempre um pouco acerca do seu interlocutor: por exemplo, que desporto que pratica, qual o nome da esposa e dos filhos, a sua formação de base, que literatura, programas de televisão ou tipos de cinema prefere, etc. Nunca saiba muitos mais do que estes pormenores, pois pode estar a invadir a esfera privada.

Há assuntos clássicos que servem como desbloqueadores ou "quebra-gelo", por exemplo, assuntos da actualidade, como notícias de catástrofes recente, grandes campeonatos desportivos e o famoso cliché do tempo. Podem ser clichés, mas são menos arriscados quando conhecemos a pessoa há pouco tempo. Nunca subestime o valor de um bom cliché e só mais tarde, evolua para campos de conversa mais aprofundados.

A sinceridade ou honestidade é uma característica muito estimada na sociedade actual. Todavia, em momentos de negócios, pode tornar-se o caminho mais rápido para se afundar. Pense bem antes de começar uma conversa com "para ser totalmente sincero e directo...". É bom guardar a sinceridade total para as relações interpessoais mais íntimas.

Outro princípio importante: Por norma, evite usar o calão. Pode usar uma outra expressão para "testar" o interlocutor. Há pessoas para quem o uso de calão poderá significar uma certa simplicidade e humildade e poderá funcionar até como um desbloqueador de conversa.

As gafes podem acontecer a qualquer pessoa. Por muito que tente evitá-las, poderá acontecer quando menos espera. Quando cometer uma gafe, tente deixá-la ficar no ar até desaparecer, pois quanto mais tentar corrigir, pior! Na pior das hipóteses pense calmamente uns segundos e tente fazer apenas uma observação (ponderada) para corrigir a gafe.

Pessoas que dominam a arte de conversar são capazes de falar sobre muitos assuntos diferentes e são capazes de se mover habilmente em conversas sobre assuntos que não dominam, por exemplo, usando a táctica de deixar o outro brilhar (táctica muito relevante quando o interlocutor é um potencial ou actual cliente!).

Bons conversadores sabem mudar o rumo da conversa discretamente, para jogar a seu favor.
Principalmente em conversas de negócios, nunca se deve corrigir a gramática ou o vocabulário da outra pessoa, até conquistar mais a sua confiança.

Bons conversadores envolvem todos os interlocutores na conversa, em vez de se dedicar apenas a uma pessoa e nunca recorrem ao boato ou coscuvilhice. Além disso, sabem dar e receber elogios de uma forma elegante (em vez criticar.)

Porém, mesmo o melhor conversador do mundo não está livre de ter uma falha de memória. Já lhe aconteceu estar a olhar para a pessoa e de repente, não se lembrar do nome?! Nesta situação o melhor a fazer é deixar a pessoa falar o máximo de tempo possível enquanto tenta aceder à sua memória. Faça uma pergunta e deixe a pessoa responder até o nome da pessoa voltar à sua memória! Deve evitar a todo o custo pergunta: "Peço desculpa, esqueci-me do seu nome?". Para o interlocutor, isto representa uma grande falha, e pode representar desinteresse, desatenção e para uma pessoa um pouco mais extremista, até desrespeito.

Aprenda a ler a comunicação não-verbal da pessoa para saber quando finalizar a conversa (por exemplo, a pessoa olha para longe de si, olha para o relógio ou para o telemóvel, movimenta-se bastante em vez de ter um olhar atento, etc.).

Por último, surgem pequenos detalhes aos quais devemos dar atenção de vez em quando. O volume da voz, o tom de voz, a taxa de palavras por segundo, a sua eloquência, o sotaque, a riqueza vocabular. De preferência, vá treinando os seus dotes de conversador em ambientes onde se sinta seguro.

Se não tem amigos com quem praticar e que sejam capazes de o criticar e ajudar a melhor, existem vários clubes com esse objectivo.
Talvez o mais conhecido do mundo seja o Toastmasters International (www.toastmasters.org). Trata-se de um clube, onde as pessoas se reúnem para treinar as suas capacidades de comunicação, oratória, etc. É uma organização sem fins lucrativos que começou em 1924, na Califórnia e, actualmente existem centenas de clubes espalhados um pouco por todo o mundo incluindo Portugal (nomeadamente Porto e Braga).

Para ir praticando sozinho algumas destas competências, nada melhor que uns exercícios caseiros!

Exercícios para coordenar voz e articulação das palavras
(Leia rapidamente, tentando não baralhar letras nem dizer a palavra de forma errada)

Exercício 1
O tempo pergunta ao tempo
Quanto tempo o tempo tem.
O tempo responde ao tempo
Que o tempo tem tanto tempo
Quanto tempo o tempo tem.

Exercício 2
Um ninho de mafagafas
Tinha seis mafagafinhos.
Tinha também magafaças,
maçagafas, maçafinhos,
mafafagos, magaçafas,
maçafagas, magafinhos.
Isso além dos magafafos
E dos magafagafinhos.

Exercício 3
Feijão, melão, pinhão, mamão.
Meijão, malão, feinhão, pimão.
Pijão, feilão, manhão, memão.
Majão, pilão, menhão, feimão.

Exercícios para uma dicção mais perfeita
(repita três vezes cada frase sem se enganar).

Exercício 1
Em rápido rapto, um rápido rato raptou três ratos sem deixar rasto.
Exercício 2
As pedras pretas da pedreira de Pedro Pedreiras são os pedregulhos com que Pedro apedrejou três potras prenhas.
Exercício 3
Em três pratos de trigo comem três tristes tigres.

«O único critério infalível de sabedoria para as mentes banais - sucesso.»

Edmund Burke, estadista e escritor


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Úlima modificação em Quarta, 29 Dezembro 2010 16:39
Patrícia Araújo

Patrícia Araújo

Patrícia Araújo é Escritora, Consultora de RH e Formadora. É Psicóloga (Membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses) e Mestre em Psicologia Organizacional pela Universidade do Porto e paralelamente é professora de Yoga., exerce consultas de psicologia (orientação psicologia positiva-humanista), sendo também docente universitária. Contacto: pattaraujo@gmail.com

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