Jonathan Swift (1667-1745), autor irlandês mais conhecido pela obra "As Viagens de Gulliver", descreveu os dez pecados mortais contra a arte de bem conversar:
- A desatenção de quem ouve.
- O mau hábito de interromper e a de falar ao mesmo tempo.
- A precipitação de mostrar que se tem espírito ou cultura.
- A vontade de querer dominar a conversa e o assunto.
- Pedantismo.
- A falta de seguimento na conversa.
- O espírito de contradição.
- O vício de sempre querer fazer piadas.
- A falta de calma na apresentação de argumentos.
- Trazer a baila assuntos pessoais em detrimento dos de ordem geral.
Reflicta um pouco sobre cada um deles.
Uma regra essencial é o "Pare, Escute e Olhe". Pare uns segundos, reflicta sobre quem é o seu interlocutor, escute-o activamente, olhe profundamente para ele, não se distraia, deixe-se envolver realmente na conversa.
Além disso, no campo empresarial, é importante saber sempre um pouco acerca do seu interlocutor: por exemplo, que desporto que pratica, qual o nome da esposa e dos filhos, a sua formação de base, que literatura, programas de televisão ou tipos de cinema prefere, etc. Nunca saiba muitos mais do que estes pormenores, pois pode estar a invadir a esfera privada.
Há assuntos clássicos que servem como desbloqueadores ou "quebra-gelo", por exemplo, assuntos da actualidade, como notícias de catástrofes recente, grandes campeonatos desportivos e o famoso cliché do tempo. Podem ser clichés, mas são menos arriscados quando conhecemos a pessoa há pouco tempo. Nunca subestime o valor de um bom cliché e só mais tarde, evolua para campos de conversa mais aprofundados.
A sinceridade ou honestidade é uma característica muito estimada na sociedade actual. Todavia, em momentos de negócios, pode tornar-se o caminho mais rápido para se afundar. Pense bem antes de começar uma conversa com "para ser totalmente sincero e directo...". É bom guardar a sinceridade total para as relações interpessoais mais íntimas.
Outro princípio importante: Por norma, evite usar o calão. Pode usar uma outra expressão para "testar" o interlocutor. Há pessoas para quem o uso de calão poderá significar uma certa simplicidade e humildade e poderá funcionar até como um desbloqueador de conversa.
As gafes podem acontecer a qualquer pessoa. Por muito que tente evitá-las, poderá acontecer quando menos espera. Quando cometer uma gafe, tente deixá-la ficar no ar até desaparecer, pois quanto mais tentar corrigir, pior! Na pior das hipóteses pense calmamente uns segundos e tente fazer apenas uma observação (ponderada) para corrigir a gafe.
Pessoas que dominam a arte de conversar são capazes de falar sobre muitos assuntos diferentes e são capazes de se mover habilmente em conversas sobre assuntos que não dominam, por exemplo, usando a táctica de deixar o outro brilhar (táctica muito relevante quando o interlocutor é um potencial ou actual cliente!).
Bons conversadores sabem mudar o rumo da conversa discretamente, para jogar a seu favor.
Principalmente em conversas de negócios, nunca se deve corrigir a gramática ou o vocabulário da outra pessoa, até conquistar mais a sua confiança.
Bons conversadores envolvem todos os interlocutores na conversa, em vez de se dedicar apenas a uma pessoa e nunca recorrem ao boato ou coscuvilhice. Além disso, sabem dar e receber elogios de uma forma elegante (em vez criticar.)
Porém, mesmo o melhor conversador do mundo não está livre de ter uma falha de memória. Já lhe aconteceu estar a olhar para a pessoa e de repente, não se lembrar do nome?! Nesta situação o melhor a fazer é deixar a pessoa falar o máximo de tempo possível enquanto tenta aceder à sua memória. Faça uma pergunta e deixe a pessoa responder até o nome da pessoa voltar à sua memória! Deve evitar a todo o custo pergunta: "Peço desculpa, esqueci-me do seu nome?". Para o interlocutor, isto representa uma grande falha, e pode representar desinteresse, desatenção e para uma pessoa um pouco mais extremista, até desrespeito.
Aprenda a ler a comunicação não-verbal da pessoa para saber quando finalizar a conversa (por exemplo, a pessoa olha para longe de si, olha para o relógio ou para o telemóvel, movimenta-se bastante em vez de ter um olhar atento, etc.).
Por último, surgem pequenos detalhes aos quais devemos dar atenção de vez em quando. O volume da voz, o tom de voz, a taxa de palavras por segundo, a sua eloquência, o sotaque, a riqueza vocabular. De preferência, vá treinando os seus dotes de conversador em ambientes onde se sinta seguro.
Se não tem amigos com quem praticar e que sejam capazes de o criticar e ajudar a melhor, existem vários clubes com esse objectivo.
Talvez o mais conhecido do mundo seja o Toastmasters International (www.toastmasters.org). Trata-se de um clube, onde as pessoas se reúnem para treinar as suas capacidades de comunicação, oratória, etc. É uma organização sem fins lucrativos que começou em 1924, na Califórnia e, actualmente existem centenas de clubes espalhados um pouco por todo o mundo incluindo Portugal (nomeadamente Porto e Braga).
Para ir praticando sozinho algumas destas competências, nada melhor que uns exercícios caseiros!
Exercícios para coordenar voz e articulação das palavras
(Leia rapidamente, tentando não baralhar letras nem dizer a palavra de forma errada)
Exercício 1
O tempo pergunta ao tempo
Quanto tempo o tempo tem.
O tempo responde ao tempo
Que o tempo tem tanto tempo
Quanto tempo o tempo tem.
Exercício 2
Um ninho de mafagafas
Tinha seis mafagafinhos.
Tinha também magafaças,
maçagafas, maçafinhos,
mafafagos, magaçafas,
maçafagas, magafinhos.
Isso além dos magafafos
E dos magafagafinhos.
Exercício 3
Feijão, melão, pinhão, mamão.
Meijão, malão, feinhão, pimão.
Pijão, feilão, manhão, memão.
Majão, pilão, menhão, feimão.
Exercícios para uma dicção mais perfeita
(repita três vezes cada frase sem se enganar).
Exercício 1
Em rápido rapto, um rápido rato raptou três ratos sem deixar rasto.
Exercício 2
As pedras pretas da pedreira de Pedro Pedreiras são os pedregulhos com que Pedro apedrejou três potras prenhas.
Exercício 3
Em três pratos de trigo comem três tristes tigres.

