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Planeamento de carreira - Era uma vez

Escrito por  Liliana Cabecinha
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Já dizia o ditado popular que ... «De pequenino é que se torce o pepino». Desde tenra idade, somos resultado de um processo de assimilação e absorção do mundo que nos rodeia. Aprendemos as regras, assimilamos modos de saber e fazer, e tornamo-nos produto de determinado meio.

Temos comportamentos de mimica face ao que apreciamos e construimos sonhos onde os nossos heróis são as personagens principais. Nós, apenas somos personagens que desejam tornar-se  heróis. Somos agentes que agem. O substantivo latino actio, derivado de agere, corresponde o substantivo acção. Assim, até de um ponto de vista etimológico, ‘acção’ só carreia a carga semântica de ‘agir’ e não propriamente de ‘fazer’.Tudo quanto realizamos é parte da nossa conduta, mas nem tudo o que realizamos constitui uma acção [1].

 

Quando planeamos, será que agimos? Ou será que fazemos?Quando questionados com o que queremos ser, as respostas que demos são semelhantes às de hoje das nossas crianças. Queremos sobretudo ser como alguém que admiramos. O professor, o jogador de futebol, a bailarina, o bombeiro, o médico e o polícia. E assim se cresce, com estes sonhos. As nossas escolhas profissionais são condicionadas por elementos fisico-biológicos e histórico-culturais. Não são por isso um designio externo, mas sim resultante de um conjunto de factores.

 

A primeira entrada no Mundo real ocorre quando se iniciam as experiências escolares. Afinal, a bailarina, o policia, o bombeiro já não tem assim tanta piada. Afinal até há mais profissões que  se pode ser. E até aos 10 anos continuamos a mudar consoante os gostos e o que ocorre no mundo que nos pertence. Com a entrada noutro ciclo de ensino básico, no qual se passa a ter mais professores e as matérias começam a ser mais distintas, tudo se altera. E esta situação irá permanecer nos anos escolares seguintes, até ao 9º ano, altura em que se tem de decidir.

 

Mais que testes psicotécnicos a realizar, ter-se-á de tentar perceber o contexto no qual é afirmado que se gosta de X e não de Y. Os professores, desempenham um papel fundamental no gosto que os alunos têm ou não de determinada disciplina. Na realidade, um bom professor pode mudar o Mundo de  um jovem, incentivando-o a explorar mais e a querer ser mais. Do mesmo modo, um professor menos bom, pode destruir o Mundo, criar uma aversão a determinada matéria e disciplina, apesar de existirem capacidades conginitivas para explorar mais profundamente.

A faixa etária em que é efectuada a escolha, normalmente adolescente, é também fortemente influenciada por factores externos como a moda, o grupo de amigos. Se o corpo está a mudar e por si só isso causa um turbilhão de emoções e sensações, mudar e decidir nesta fase também é um turbilhão. Uma decisão incorrecta terá influência para todo o sempre na existência do jovem, futuro de amanhã.


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Decidir não é fácil, principalmente quando pressupõe mudança. A mudança é sinónimo de alteração do que está definido há algum tempo. Quando se decide para o incerto, maiores são as dificuldades. É por isso fundamental que quem escolhe, seja apoiado por uma boa base (familiar, e por outros – elementos que os rodeiam). Embora esteja provado que os pais, em muitos casos, busquem a realização por meio dos filhos (Boholasvsky, 1987), o seu papel é fulcral neste processo, uma vez que representam a estrutura que não irá sofrer alterações. Os pais optam por dois tipos de comportamento: ou tendem a desejar que os filhos continuem com o seu legado ou, que os filhos se realizem tudo aquilo que não puderam realizar. Estudos apontam para que a escolha recai em áreas aprovadas pelos progenitores, uma vez que estes exercem uma influência monetária, tornando os jovens dependentes de si.

 

Tendo subjacente estes elementos, e no acto da escolha, dever-se-á iniciar com a análise do perfil: Quem sou? Quem são os que me rodeiam? E o que fazem profissionalmente? Gosto? Não gosto? Porquê? O que desejo para o futuro? Em que é que sou verdadeiramente bom? E verdadeiramente menos bom? Quais os motivos que me fazem ser bom? E os motivos em ser menos bom? O que pretendo da minha profissão?

 

Há ainda que conhecer o que o futuro espera. Isto é, efectuar uma pequena análise da realidade caso se opte por determinada área. Porque, muitas das vezes, a realidade é bem diferente do que se estuda nas salas de aula.

 

Escolher uma carreira não é fácil. A maioria das vezes, é experimentado o que não se gosta que, se se segue o caminho para a carreira da vida. Ao conceito de vida deverá ser dada importância. Na realidade, é no mundo laboral que se dispende a maioria do tempo. Convém por isso que se faça o que mais se gosta,  tendo presente que se terá.

[1] Racionalidad y Acción Humana. Madrid : Alianza, 1987, p.141-142, in J. Neves VICENTE - Razão e Diálogo. Porto : Porto Editora, [1997], p. 98

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Úlima modificação em Domingo, 11 Abril 2010 22:19
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