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Perguntas do recrutador, Parte Dois

Escrito por  Barbara Safani
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Quais são as três perguntas mais importantes que se pode colocar aos candidatos e porquê?
  1. Conte-me algo sobre si que não vou conseguir descobrir numa hora de entrevista. Se as pessoas tiverem algo a esconder, costumam entrar em pânico com esta pergunta e ficar na defensiva. Essa não é a intenção, mas é uma reacção interessante. A intenção costuma ser ver que tipo de assunto os candidatos optam por referir (isto é, algo sobre o estilo, uma experiência, algo pessoal - seja ou não relevante).
  • Fale-me de um erro que tenha cometido e diga-me o que aconteceu. Isto ajuda a determinar o que consideram como "bom" e "mau" e mostra as suas capacidades para resolver problemas - algumas pessoas falam do erra sem falarem de forma clara do resultado ou da resolução. Isto costuma ser bom para distinguir entre os que são tácticos e os que são estrategas. Além de que é muito melhor para descobrir fraquezas do que perguntar directamente quais são.
  • Quando se pensa nos factores que pesam quando se toma uma decisão sobre um trabalho (factores pessoais e profissionais), qual é a coisa mais importante neste momento? Isto ajuda a perceber a prontidão da pessoa em partir; por vezes, a resposta é algo de que nem se falou na entrevista; outras vezes é algo que pode ser prejudicial a longo prazo ou difícil de assegurar (por exemplo, sair do trabalho todos os dias às quatro da tarde, um pacote de benefícios incrivelmente generoso, o facto de trabalharem a cinco minutos de casa).
  • Que nível de acompanhamento se espera dos candidatos ao emprego? O que é que é demais?

    Uma vez num mês está bem. Uma vez por semana é demais. Acho que é preciso compreender que o recrutador pode recorrer a uma base de dados. Se assim for, de cada vez que surgir um emprego novo, os candidatos qualificados aparecem numa simples busca à base de dados, por isso não é preciso pensar "longe da vista, longe do coração". No caso dos recrutadores que não usam base de dados, pode ser preciso manter mais contacto para se certificar de que não se é esquecido.

    Qual é a sua opinião em relação ao envio de cartas após uma entrevista?

    Prefere que sejam enviadas por e-mail ou correio normal? Os meus clientes gostam de receber um obrigado escrito especificamente com esse propósito e estabelecem de imediato o porquê de determinado candidato ser adequado para o trabalho. Acho que a maior parte está à espera de receber e-mail, mas o correio normal pode dar mais nas vistas. Muitas vezes, os candidatos nem sequer enviam nada quando o trabalho não lhes agrada, por isso, se estiver mesmo muito interessado em determinado trabalho, envie uma carta logo que possa. E certifique-se de que não tem erros nem gralhas!

    O que é que mais o incomoda numa entrevista e porquê?

    Não suporto quando alguém chega aqui com o discurso ensaiado. A minha tendência é para os parar e colocar uma pergunta específica para mudar o rumo da conversa. Detesto quando não respondei à pergunta e continuam com o discurso.

    O que é que mais o incomoda num currículo e porquê?

    Erros de formatação, espaços a mais, visual inapropriado. Acho que dá um aspecto pouco profissional.

    Utiliza alguma ferramenta profissional ou social de networking, como o LinkedIn e o Facebook para procurar candidatos?

    Costuma procurar os seus candidatos no Google ou analisar os perfis deles antes de os entrevistar? Usamos sempre o LinkedIn porque é mais uma ferramenta de networking profissional. Não procuramos no Facebook porque tem demasiada informação pessoal que não deve ser usada para o processo de entrevista. Recomendo a todos os meus candidatos para pesquisarem os entrevistadores, mas não pesquisamos os candidatos.

    Se alguém tiver uma falha na cronologia, como recomenda que lidem com essa questão no currículo?

    Depende do motivo para a falha e se o que fizeram durante esse tempo tem ou não a ver com o tipo de emprego de que estão à procura. Se for muito tempo, pode ser apropriado acrescentar algo que descreva o que a pessoa esteve a fazer nesse tempo. Mas pode sempre haver mais do que se lhe diga. Se for de menos de um ano, o meu conselho será colocar as datas em anos e não em meses e explicar a falha logo à partida. Se for mais do que isso, pode ser preciso referir algo por escrito, mas, mais uma vez, depende do motivo.

    Costuma ler cartas de intenção? Porquê ou por que não?

    Não. Os meus clientes não as lêem e preferem que eu lhes faça um resumo do que têm de saber. É raro encontrar algo de relevante nessas cartas, algo que distinga um candidato de outro. O que faço é lê-las na diagonal, para me certificar de que têm o tamanho adequado e de que não têm erros ortográficos ou de formatação.

    As empresas de caminhos-de-ferro entraram em declínio porque pensavam que estavam no negócio dos transportes. Deixaram que outras lhe roubassem clientes porque se assumiram como estando no negócio dos caminhos-de-ferro em vez de estar no negócio dos transportes. A razão por que definiram a sua indústria de forma errada é porque estavam orientadas para os caminhos-de-ferro em vez de estarem orientadas para o consumidor.

    Theodore  Levitt,  especialista em marketing da Harvard  Business  School


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    Úlima modificação em Quarta, 29 Dezembro 2010 16:08
    Barbara Safani

    Barbara Safani

    Barbara Safani é consultora nas áreas relacionadas com o desenvolvimento organizacional. Colabora com diversas empresas da revista Fortune 100 e com indivíduos na criação de soluções de networking, procura de emprego e negociação salarial.

    É fundadora da Career Solvers, empresa especializada em recrutamento e selecção.

    Website: www.careersolvers.com/