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Gestão responsável e desenvolvimento social
As empresas são geralmente vistas como uma forma de enriquecer os seus proprietários. Na verdade, durante os primeiros tempos da era da industrialização, os empresários exploravam trabalhadores e outros recursos de forma indiscriminada, perseguindo lucros sem limites. Os trabalhadores eram obrigadas a trabalhar longas horas em condições deploráveis e a exploração de recursos naturais causava grande poluição e destruição ambiental.

Os consumidores eram também frequentemente enganados com falsas promessas e fornecimento de produtos de baixa qualidade, sem garantias e preços pouco transparentes. Os concorrentes eram expulsos do mercado através de todo o tipo de truques de baixo nível.

A prática de negócios daquela época assim o permitia. Pensava-se que através de qualquer meio, independentemente da sua idoneidade, o empresário reduziria custos, aumentaria as margens e acumularia grandes fortunas.

A resistência à irresponsabilidade e às práticas comerciais desleais

Os governos democráticos dependem do voto popular, quer para chegar ao poder, quer para o manter. Se o povo vê no Governo um apoiante de práticas que prejudicam os interesses de todos, esse Governo não terá certamente potencial para recolher o número de votos suficiente para voltar ao poder. Esta vontade popular, expressa no poder político, forçou Governos, um pouco por todo o mundo, a criar leis que protegem os direitos dos trabalhadores, dos consumidores e do meio ambiente.

Foi autorizada a formação de sindicatos para que a organização formal dos trabalhadores lhes concedesse o poder negocial para defender os seus direitos. A lei laboral passou a proteger os trabalhadores contra o despedimento indiscriminado e também obrigou os empregadores a fornecerem um determinado conjunto mínimo de condições de trabalho e a pagar níveis salariais mínimos.

Os consumidores passaram a estar protegidos por lei contra falsas promessas, não sendo permitido que uma empresa publicite características falsas dos seus produtos. As práticas monopolistas, que visam impedir a livre concorrência, são igualmente supervisionadas e punidas por lei. Quanto maior a concorrência entre os fornecedores e prestadores de serviços, tanto melhor para os consumidores.

Proteger os empresários dos gestores - o conflito de agência

Com o crescimento das empresas, a propriedade e gestão separaram-se. Gestores profissionais foram contratados para gerir empresas detidas por centenas ou milhares de accionistas. Neste novo cenário, os gestores frequentemente deram prioridade aos seus próprios interesses, deixando os interesses dos accionistas para segundo plano. Estávamos perante o chamado conflito de agência.

Nem sempre se divulgava informação verdadeira sobre o curso dos negócios. As mais variadas manipulações de informação deram-se, por exemplo, a nível do aumento artificial dos lucros, através de práticas contabilísticas duvidosas, do pagamento da gestão de topo a si mesma de remunerações astronómicas. A gestão profissional executou muitas outras manobras de desvio de fundos da empresa para benefício próprio, sendo as mais conhecidas as que passam pela adjudicação de contratos a preços inflacionados a entidades detidas por si próprios.

 

 

As normas de relato financeiro, basicamente, visam proteger os accionistas contra tais práticas dos gestores. Exigem a divulgação de políticas contabilísticas e de outras informações cruciais sobre os lucros e sobre a forma como os capitais das empresas são geridos. A actuação dos contabilistas e auditores é muito importante neste aspecto.

Proteger a economia e a sociedade

Práticas de gestão irresponsáveis causam prejuízos económicos e sociais. Se a livre concorrência for impedida, produtores ineficientes mantêm-se no mercado (deveriam ser expulsos), explorado os consumidores, desperdiçando recursos económicos escassos, contribuindo negativamente para o desenvolvimento humano e social. A exploração indiscriminada de recursos naturais destrói o meio ambiente conduzindo à desertificação e a alterações climáticas. Resíduos industriais lançados no meio ambiente sem tratamento, aterros, emissão de gases de estufa destroem a qualidade de vida e levam ao surgimento de novos tipos de doenças e, com elas, à fome e à miséria. Uma espiral negativa entra em funcionamento ameaçando a economia e a sociedade como um todo.

A exploração sem regras dos trabalhadores não só conduz a grandes disparidades de distribuição da riqueza, como também a graves conflitos sociais. A pobreza pode levar à adopção generalizada de meios ilícitos de ganhar a vida, tornando a vida em sociedade insuportável.

Boas práticas de gestão e o desenvolvimento social

É amplamente reconhecido que o bom governo das sociedades e as práticas de gestão com base em princípios éticos sólidos melhoram não só a saúde da economia e a estabilidade social, como também a estabilidade financeira, e até o potencial de sucesso das empresas. Empresas com uma reputação de comportamento responsável obterão mais facilmente capital a custos razoáveis, atrairão trabalhadores altamente qualificados e serão capazes de manter uma base de clientes mais leal.

Reconhecendo a importância das boas práticas de gestão, organizações como a OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico - estão a desenvolver quadros de boas práticas de governo das sociedades, sendo os princípios baseados em: responsabilidade, responsabilização, equidade e transparência.

A gestão responsável envolve a protecção dos direitos dos accionistas e dos interesses de todas as partes interessadas, incluindo empregados, consumidores, credores, Estado e público em geral. A divulgação verdadeira e apropriada dos resultados da empresa, a não utilização de publicidade enganosa, o cuidado com o meio ambiente, a criação de empregos e um tratamento justo dos empregados são exemplos de práticas de gestão éticas e responsáveis.

Nos dias de hoje, com a Internet e as comunicações rápidas e acessíveis, todos os agentes económicos são capazes de obter informações sobre práticas de gestão, e há cada vez menos tolerância a práticas irresponsáveis. Perder a reputação de gestão responsável significa actualmente perder negócios. Por isso mesmo, as práticas de gestão responsáveis já não são uma opção, são obrigatórias.


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