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Nem todos os investimentos são 'buy and hold'

Escrito por  Nuno Nogueira
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Quando faz um investimento tem de saber qual é a sua motivação primária. Peter Lynch abordou a necessidade de classificar acções em diferentes categorias baseadas na origem do seu valor e das suas intenções a longo prazo

Eu sou um investidor em valor. O meu tipo favorito de investimento é em acções de empresas que geram altos retornos sem alavancagem, têm uma posição altamente competitiva virtualmente inatacável, e estão a ser transaccionadas a um preço estupidamente baixo quando comparadas com os resultados que obtêm.

Estas são raras e quando se encontram, tem que estar preparado para assumir um nível de compromisso substancial (como Buffett disse, quando chove ouro arranje um balde e não um dedal). Como não gosto de vender, adoro o facto de as acções permanecerem nas minhas contas ou nas contas dos meus negócios indefinidamente. Considero ainda que é importante referir que alguns investimentos não são permanentemente "comprar e guardar".

Benjamin Graham foi mais longe quando se referiu ao erro de acreditar em investimentos "permanentes".

Um caso perfeito é a Saks Incorporated. Há doze anos atrás, mais ou menos, coloquei uma quantia significativa do meu próprio dinheiro na cadeia de distribuição que nesse tempo tinha uma grande cadeia de lojas e a famosa bandeira epónima da companhia: a Saks Fifth Avenue. Creio que paguei algo como €8 por acção e vendi um ano mais tarde por €12, encaixando uns avultados 50% de mais-valia sobre o meu investimento inicial em apenas doze meses.

Porque que é que não mantive a Saks indefinidamente? Adorava a loja, especialmente durante os anos que vivi na Costa Oeste, na área da cidade de Nova Iorque. Mas, a Saks não estava a abrir lojas em novas localizações, não gerava grandes dividendos, e tinha atingido as minhas estimativas de valor intrínseco. Desde então, há mais de uma década que não faço um investimento substancial nessa acção, embora tenha na parede da sede da minha empresa uma moldura da acção, assim como de outras 100 empresas que têm algum significado para mim.

Durante esse mesmo período as acções não se mexeram. Estão estagnadas num limbo, sem qualquer proveito para os seus proprietários.

(Teria havido uma grande oportunidade para fazer dinheiro durante a crise de crédito quando a acção foi de $2 a $10 mas eu estava a colocar o nosso capital em acções de empresas que queria segurar para sempre e que tinham os mesmo descontos para o valor intrínseco: ex: Wells Fargo a $8, U.S. Bancorp a $8.5, General Electric a $6, Berkshire Hathaway a $56 (cotação ajustada aos splits), Cracker Barrel a $19, Harley Davidson a $10... e a lista continua. Dessa forma, quando elas recuperassem, nem todas teriam que ser vendidas. Podíamos deixá-las nas nossas contas a capitalizar indefinidamente.)

«Não nascemos para usar mas para mandar.»

William  Shakespeare,  o bardo


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Úlima modificação em Quarta, 29 Dezembro 2010 22:32