Para ser verdadeiramente honesto, uma grande razão para não emprestar dinheiro tem a ver com o facto de eu conseguir retornos melhores noutro investimento qualquer e sentir-me-ia como um idiota se emprestasse dinheiro a alguém a uma taxa de juro de 10% se soubesse que poderia obter 20% noutro projecto. Em suma, tento ser, acima de tudo, racional. Afectar recursos financeiros em projectos de baixo retorno não é prudente, tendo em conta a minha idade e o meu custo de oportunidade.
O Modelo de Financiamento Social da Virgin Revoluciona o Mercado Financeiro
A Virgin Money, no entanto, criou um produto único que eu acho intrigante. Para usar este produto, o leitor terá de pagar à Virgin uma pequena comissão. Eles, posteriormente, estruturam um empréstimo entre o leitor e o seu parente ou amigo de forma que o tomador do empréstimo terá de pagar à empresa (e não a si), farão também a cobrança dos montantes em dívida e dos juros. Além disso, enviarão os extractos e entregar-lhe-ão o dinheiro sob a forma de depósito. Se o tomador do empréstimo não cumprir a sua obrigação de pagar os montantes que pediu emprestados ou os juros, ou se atrasa a fazê-lo, isso será tratado como se de um empréstimo normal se tratasse, podendo eventualmente danificar a capacidade de crédito ou até forçá-lo a assumir falência.
De facto, a Virgin Money está a criar uma solução social de financiamento que se coloca entre o aforrador e o tomador do empréstimo de forma que nenhuma das partes se envolve emocionalmente. Se os pagamentos forem feitos, a Virgin tratará do assunto. E cobrará uma comissão por isso. É uma inovação maravilhosa que poderá fazer com que os empréstimos se tornem mais palpáveis para aqueles que de outra forma nunca abririam os seus bolsos a familiares ou amigos.
Dois princípios interessantes
Confesso que se algum dos meus familiares mais velhos já reformados não pudesse viver dos seus rendimentos, eu iria ponderar uma emissão de obrigações, a título privado, com um cupão de, digamos, 7% a 8.5%, que lhes permitisse ganhar mais do que noutra aplicação qualquer. Tecnicamente, isso significaria que eu iria estar a pedir dinheiro emprestado a um familiar (ou melhor, a minha empresa estaria a fazê-lo).
A minha lógica é: 1. Eu não preciso do dinheiro, 2. Não acredito que exista uma probabilidade razoável de incumprimento, 3. Eu simplesmente adicionaria o dinheiro noutros investimentos para que crescessem mais ou mantê-lo-ia em cash como fundo de maneio, e 4. Acharia que estaria a fazer um favor.
Da mesma forma, poderia pensar em criar um tipo especial de sociedade para os meus pais ou avós que quisessem obter dividendos. Isso iria deixá-los gozar a sua reforma e eu saberia que poderia ganhar um atractivo retorno do capital.
(*) Pode estar a perguntar-se a si próprio qual será a segunda excepção. Eu poderei fazer por alguns dos meus gestores o que Warren Buffett fez com Ken Chace quando assumiu o controlo da Berkshire Hathaway e lhe emprestou $18.000 para comprar 1.000 acções da empresa (que por acaso agora têm um valor de mercado de cerca de $125 milhões). Se eles trabalham para mim, e se quisessem uma parte da empresa, assim que esta dispersasse o capital em bolsa, eu consideraria a hipótese de abrir uma linha de crédito que lhes permitisse pedir dinheiro emprestado a uma taxa de juro baixa pré-determinada para que comprassem acções da minha empresa. Se eles entrarem em incumprimento, as acções seriam penhoradas e eu, ainda assim, teria ganho algum juro. Se eles pagassem a totalidade do empréstimo, tornar-se-iam accionistas da empresa. É uma situação em que ambas as partes ganham.
Já que penso neste assunto, gosto mesmo da ideia de criar um fundo que empreste dinheiro a empregados para compra de acções da minha empresa. Só Deus sabe como eu lhes vou pedir que mantenham uma percentagem dos seus salários em acções da empresa para que os seus interesses se alinhem com os dos restantes accionistas.