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8. Comprar casa

Escrito por  Admin
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A compra de casa é, para a maioria das pessoas, a decisão financeira mais importante das suas vidas. Já vão longe os tempos em que o imobiliário valorizava sempre a taxas simpáticas, independentemente da localização do imóvel, da qualidade e reputação do construtor, entre muitos outros factores.

Hoje, com a fiscalidade sobre os imóveis a apertar, o mercado de arrendamento a emergir e a oferta de casas a aproximar-se do número de famílias, todos os cuidados são poucos quando decide comprar ou mudar de casa.

O Portal Gestão deixa-lhe as melhores dicas para o ajudar nessa decisão.

1-Não compre casa se não tiver a certeza que fica no mesmo sítio durante um período de tempo significativo, digamos, pelo menos dez anos. Claro que isto depende largamente da fase da vida em que se encontra: carreira, relações familiares, alterações na envolvente, podem comprometer a estabilidade durante alguns anos e, se for assim, a propriedade de uma casa não é para si, pelo menos por enquanto. A paciência é uma grande virtude, nestes casos.

2-Lembre-se que os custos de transacção relacionados com a compra ou venda de uma casa, podem destruir facilmente as mais-valias que eventualmente tenha conseguido com um negócio anterior. O Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (antiga SISA), o Imposto do Selo, as comissões das mediadoras imobiliárias, as comissões bancárias (no caso de recorrer a crédito à habitação), os emolumentos das Conservatórias, o custo da escritura, o Imposto sobre os Bens Imóveis (IMI) atingem facilmente dezenas de milhares de euros. Para uma simulação completa de casos reais, use o nosso fórum. Assim, a regra será não comprar nem vender até que seja estritamente necessário, pois vai acabar por perder dinheiro se vender cedo de mais.


3-Procure uma casa que possa realmente pagar. A regra de ouro neste caso consiste em comprar uma casa no valor de duas vezes e meia o rendimento anual líquido do seu agregado familiar. Por exemplo, se o rendimento anual líquido do seu agregado familiar é de € 60.000, não compre uma casa com um valor superior a € 150.000. Mas para ter a certeza dos seus cálculos é melhor fazer as contas numa das nossas calculadoras ou esclarecer as suas dúvidas através do fórum.

4-As prestações da casa não devem exceder trinta e cinco por cento do seu rendimento mensal líquido.

5-Compre numa boa localização, isto é, perto de boas escolas, transportes, lojas, serviços, perto de tudo. Na maior parte das boas localizações, este conselho deve ser seguido mesmo que não tenha filhos com idade de ir à escola porque quando chegar a altura de vender, vai descobrir que as melhores zonas são uma prioridade para muitos potenciais compradores, o que ajuda a subir os preços do seu imóvel. As boas zonas nunca desvalorizam.

6-Procure ajuda profissional. Apesar de a Internet fornecer um acesso infindável de imóveis à venda, a maior parte dos bons negócios são feitos através de uma imobiliária. Procure sempre as mediadoras imobiliárias mais credíveis e experientes no mercado.

7-Investigue bem os preços antes de fazer uma oferta. A sua primeira oferta deve ser baseada na tendência  de preços das casas semelhantes vendidas na vizinhança. Por isso, antes de licitar, analise as vendas de casas semelhantes nos últimos três meses. Se as casas tiverem sido vendidas a menos dez por cento do preço pedido, deve fazer uma licitação doze a quinze por cento abaixo do que o vendedor está a pedir.

8-Contrate um avaliador independente, preferencialmente alguém com experiência em avaliações de casa na zona onde quer comprar. O dever do avaliador consiste em apontar eventuais problemas que possam necessitar de reparações dispendiosas a longo prazo. Numa decisão tão importante como a compra de uma casa, o custo de um avaliador independente pode ser o investimento mais proveitoso que alguma vez realizou.

O negócio certo

Se tem um talento natural (e gosto) para ser canalizador, electricista ou jardineiro, então deve escolher uma casa em vez de um apartamento. Nesse caso, vai dar emprego a um vasto grupo de profissionais cuja característica principal é raramente serem pontuais e que lhe vão dar algumas dores de cabeça. Se prefere fechar a porta e não se preocupar muito com lides domésticas, o apartamento é a opção certa. Quer num caso quer noutro, o seu lar é uma fonte inesgotável de problemas e simultaneamente de diversão.

Como investimento, a casa deve seguir o bom princípio de todos os investimentos: o valor. Procure uma casa a precisar de algumas reparações numa boa localização em vez da melhor casa de uma zona complicada. Isto vai permitir-lhe poupar uns milhares de euros.

Arrendar ou comprar?

Ainda que no passado o investimento em imobiliário fosse algo certo e seguro, hoje em dia temos de ter algum cuidado com as nossas expectativas de valorização. No final da década de 90 era fácil obterem-se mais-valias de dois dígitos em poucos anos (por vezes poucos meses), mas hoje as coisas são diferentes e até já vemos muitos casos de menos-valias.

No entanto, acreditamos comprar uma casa (ou apartamento) pode ser um excelente investimento no longo prazo. Primeiro, porque vai precisar de um local para viver e segundo porque o imobiliário tende a valorizar a uma taxa ligeiramente superior à taxa de inflação; se excluirmos as loucuras e depressões do curto-prazo, é este tipo de valorização que devemos esperar para o nosso lar, nem mais nem menos.

Assim, tudo depende da sua visão de longo-prazo e de quanto pode pagar. Se após as negociações com os bancos, verificar que a renda é superior a 35% da prestação da casa, então tem um sinal de que deve comprar. Se, pelo contrário, não se pode comprometer no longo prazo a uma certa localização, aproveite o florescente mercado de arrendamento e não pense muito mais no assunto, por enquanto.

O crédito à habitação

Se não é um especialista em finanças, sugerimos que utilize uma das calculadoras do Portal Gestão para avaliar precisamente quanto vai pagar pela casa que está a pensar comprar. O Valor Actualizado Líquido (VAL) do seu crédito à habitação pode ser calculado, através da simulação das prestações mensais que terá que pagar ao banco. Esse VAL depende de:

  • O montante do empréstimo

  • A entrada inicial

  • A taxa de juro de referência (a mais usada é a Euribor a 6 meses)

  • O spread

  • A vida útil do empréstimo

Não se iluda com empréstimos cuja duração é superior a 30 anos porque normalmente a partir desta duração, está a pagar mais do que duas vezes o valor da casa. Se não consegue pagar uma prestação cuja vida útil do empréstimo é inferior a 30 anos, é preferível comprar uma casa mais barata ou pagar uma entrada maior. Lembre-se que a prestação mensal não deve exceder 35% do seu rendimento líquido.

Se ainda é jovem, está na altura certa para comprar uma casa e fazer um dos melhores investimentos da sua vida, mas provavelmente não tem memória de taxas de juro superiores a 30%! O que é um facto é que as taxas de juro já estiveram nesses valores no passado e ninguém nos pode garantir que não voltam a estar. A solução começa por simular: peça ao seu banco para simular um empréstimo a taxa fixa e depois peça para simular um aumento nas taxas de juro na ordem dos 8% para ver o que acontece. Se ainda assim, o seu rendimento lhe permite pagar a prestação sem grandes problemas, então avance. Caso contrário, está a jogar um jogo perigoso.

Negoceie com o seu banco o valor do spread e procure não aceitar a primeira proposta que lhe fazem; convém procurar vários bancos e tentar negociar a domiciliação do seu salário ou outros produtos financeiros.

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Úlima modificação em Quarta, 29 Dezembro 2010 22:56
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