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Ações vs. Obrigações vs. Valorização do Ouro nos Últimos 200 Anos

Escrito por  Joshua Kennon
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Há uma razão pela qual tendo a ser mais favorável aos investimentos em participações no capital (ações) do que em investimentos em rendimentos fixos (obrigações), quando falamos em investimentos a longo prazo e a razão pela qual muito do conteúdo que escrevo é focado na Bolsa de Valores. A história mostra-nos que ser proprietário de um negócio – uma ação é isso mesmo: um pouco da propriedade sobre uma empresa – gera os melhores lucros a longo prazo, desde que não pague demasiado dinheiro. A maioria dos investidores não têm a experiência escolher ações isoladas e, por isso, os fundos de investimentos de baixo custo são a melhor opção, conforme expliquei num artigo anterior.

Para aqueles que têm conhecimentos mais avançados, pensei que seria útil olhar para as taxas de capitalização, ajustadas à inflação e a longo prazo, para ações, obrigações e ouro, com base no trabalho do Dr. Jeremy Siegel e John Bogle, fundador da Vanguard.

Lucros Ajustados à Inflação de Ações, Obrigações e Ouro

Voltando atrás quase 200 anos, se tivesse investido 10.000€, reinvestido quaisquer dividendos, juros ou outros ganhos, e tivesse deixado o dinheiro sozinho, quanta riqueza teria hoje em termos reais, ajustados à inflação, com base no tipo de ativos que selecionou?

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O investidor em ações teria transformado os seus 10.000€ em 5,6€ mil milhões. O investidor em obrigações teria transformado os seus 10.000€ em 8€ milhões e o investidor em ouro teria transformado os seus 10.000€ em 26.000€. estatisticamente, isto é relevante.

Ao longo de quase dois séculos, as ações geraram um lucro médio de 7%, em dinheiro real e ajustado à inflação. Os lucros históricos mostram que as ações ajustam-se, quase sempre, à inflação a longo prazo. No final de contas, se o dólar deixasse de ser válido e se os EUA fossem obrigados a trocar de moeda – ouro, prata ou conchas – empresas como a Coca-cola irão continuar a gerar amplas quantidades de lucro excedentes à medida que as pessoas usam as suas moedas em troca dos produtos ou serviços que a empresa oferece.

As obrigações, por outro lado, geraram retorno médios reais de 3.5%, mas são muito menos uniformes do que os lucros das ações. De facto, não é raro existirem períodos durante os quais as obrigações têm lucros negativos, algo que as ações simplesmente não fazem. Por exemplo, de 1966 a 1981, os lucros sobre as obrigações, numa base ajustada à inflação, foram 4.2%. De 2000 até 2010, por outro lado, as obrigações ultrapassaram os lucros gerados pelas ações (o que não seria difícil de prever quando olhamos para os lucros extremamente baixos do S&P 500 relacionados com os rendimentos das obrigações do Tesouro no início da década; não pode pagar 50x de lucro para uma empresa enorme como a General Electric ou Johnson & Johnson e esperar bons resultados).

Se as Ações são Claramente um Investimento a Longo Prazo Melhor do que as Obrigações, Qual o Lado Negativo?

Quer as ações, quer as obrigações flutuam significativamente. Mas as ações tendem a flutuar mais do que as obrigações, embora tudo o resto seja igual. Nos últimos 200 anos, podemos mesmo ver os máximos e os mínimos (ajustados à inflação) lucros e perdas gerados pelas ações e pelas obrigações em qualquer ano fiscal: 

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Dependendo da Definição de Risco, as Ações Podem Ser Menos Arriscadas do que as Obrigações

John Bogle, legendário fundador da Vanguard, descreve este facto no seu livro Common Sense on Mutual Funds: "Os dados são claros: se o risco é a hipótese de não conseguir ganhar um lucro real a longo prazo, as obrigações têm um risco mais elevado do que as ações."

Se considerar risco a curto prazo nas flutuações de mercado, então as ações são mais arriscadas do que as obrigações. À medida que os períodos aumentem, as ações começam a ultrapassar as obrigações mais frequentemente até que um período de um desempenho superior por parte das obrigações se torne uma anomalia estatística. Se a Bolsa de Valores é justamente avaliada ou subestimada, não faz sentido que o investidor médio, que é jovem e tem muito tempo, fique preso com o seu portfolio em títulos de rendimento fixo, como as obrigações.

Uma Última Nota sobre Investimentos em Ouro como um Tipo de Bens

Por que razão o ouro gerou lucros tão pateticamente ajustados à inflação a longo prazo? Porque o ouro não tem valor intrínseco. Não é um bem produtivo. Quando temos uma ação, detemos um bocado de uma empresa que produz bens e/ou serviços para os consumidores. Uma boa empresa gera lucros. Cada ano que passa, o ouro continua no cofre, mas o dono de uma empresa como a Procter & Gamble ou Colgate-Palmolive poderá ter um enorme monte de dinheiro do lucro gerado, ao longo daquele ano, com as vendas de detergentes e pasta dos dentes.

De um ponto de vista financeiro, o ouro tem um objetivo: pura especulação. Pode flutuar de forma selvática e gerar enormes oportunidades para aqueles que estão a prestar atenção ao jogo – e o facto é este – da política fiscal governamental. Pode servir como um mecanismo de fuga em tempos de colapso total nacional e catastrófico, como uma família de judeus que fugiam da Alemanha durante a segunda guerra mundial que quisesse começar de novo com algum capital num novo país. Mas, em termos de crescimento produtivo, o ouro é um ativo morto que acabará por regressar à sua base. Não produz nada. Não cria nada. Os lucros ajustados à inflação nos últimos 200 anos refletem essa realidade.

«O problema com o poder é como conseguir a sua utilização responsável em vez do seu uso irresponsável e complacente - como conseguir que os homens do poder vivam para o público em vez de viverem à custa do público.»

Robert  F.  Kennedy,  político


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Úlima modificação em Domingo, 25 Setembro 2011 21:20
Joshua Kennon

Joshua Kennon

Joshua Kennon é um investidor privado, escritor e empreendedor. Escreve regularmente no seu blogue pessoal em www.joshuakennon.com e no Begginers Invest, que recomendamos.

Website: www.joshuakennon.com/