O conhecido investidor Warren Buffett chamou a este tipo de empresas "as inevitáveis", porque é pouco provável que mudem muito nas próximas gerações. Daqui a 100 anos, a vida humana poderá ser totalmente diferente, mas há uma forte probabilidade de as pessoas ainda queiram bolachas e cereais, chocolate e sopa, bebidas e tabaco, sabão e detergentes para a roupa, refrigerantes e especiarias, produtos de limpeza e preservativos, creme para a barba e lâminas de barbear, pasta dos dentes e elixir, tinta para o cabelo e desodorizante.
O agregado familiar médio gasta milhares de euros todos os anos com estas empresas. Se come esses produtos, se limpa com eles ou se os coloca no seu corpo, a probabilidade é que uma destas empresas "inevitáveis" lucre com isso. Na verdade, seria muito difícil (senão mesmo impossível), sobreviver no mundo ocidental sem dar algum do seu dinheiro a estas empresas ao longo de um período de doze meses.
As 25 Empresas que Compõem o Índice das Ações Inevitáveis

Quando terminei, precisei de 25 empresas individuais para construir o Índice de Ações Inevitáveis. Claro, poderia ter acrescentado mais algumas, mas é um número bonito, facilmente divisível. Vinte destas geram lucros internacionais mas estão sedeadas nos Estados Unidos; as poucas exceções são três empresas britânicas (Unilever, Diageo e Reckitt Benckiser), uma alemã (Henkel) e uma suíça (Nestle).
Brinquei com a ideia de incluir alguns dos retalhistas e supermercados que distribuem estes produtos e produtos semelhantes – Walmart, Target, Sysco, Costco, and Walgreens – mas acabei por não o fazer. Se fizesse um índice com 30 empresas, seriam incluídas. Mas, no final, baseie-me da investigação do Dr. Jeremy Siegel. As grandes marcas duram muito tempo se forem cuidadas e estimadas. Os impérios da venda a retalho, por outro lado, não. As lojas Great Atlantic & Pacific Tea Company, Sears Roebuck, Woolworth e Kmart tiveram o seu domínio, mas agora ou já fecharam ou são apenas uma sombra do que eram. Tenho quase a certeza que, em 2100 d.C., as pessoas vão continuar a comer chocolate e a beber coca-cola, mas não sei que ainda vão fazer compras ao Walmart.
Um Portefólio Hipotético com um Índice de Ações Inevitáveis
Constituir o seu próprio índice não seria difícil. Imagine que tem 30 anos e 100 mil euros para investir. Poderia investir 4000 euros em cada uma das 25 empresas, mandar a firma de corretagem reinvestir todos os dividendos e não fazer nada nos próximos 25 anos até atingir a idade de Warren Buffett.
Um portfolio construído assim teria menos de 23 pontos base em custos de configuração. Depois disso, não haveria despesas anuais. Não haveria impostos. Sem comissões. Nada. A maioria das melhores empresas de corretagem, como a Charles Schwab, não cobra comissões por reinvestir automaticamente os dividendos. Qualquer cisão seria detida e adicionada como componente ao índice. Se qualquer das empresas fosse comprada a dinheiro, os lucros poderiam ser distribuídos igualmente entre os restantes componentes. Seria a "galinha dos ovos de ouro". Considerando os atuais preços de mercado, o rendimento médio dos dividendos do índice ponderado é 3.01%, o que significa 3.010€ em dividendos, em dinheiro e livres de impostos, nos próximos 12 meses.
Se o Índice de Ações Inevitáveis gerar o lucro real (ajustado à inflação) de 7% ao ano, em conjunto com o capital que a bolsa de valores tem vindo a produzir nos últimos 200 anos, poderá esperar um poder de compra da conta de quase 3.000.000€ ao fim de 50 anos. Uma taxa de levantamento de 4% geraria cerca de 10.000€ por mês de acordo com as taxas de câmbio atuais, que poderia usar ou doar sem ter de tocar no capital principal, que poderia ficar para os seus filhos ou fundação familiar.
O poder da capitalização é um milagre. Enquanto 3.000.000€ poderá não parecer muito dinheiro ao fim de uma vida toda, não deixa de ser impressionante porque significa que pode perder ou gastar o seu património todo, nunca poupar mais nenhum dinheiro das suas fontes de rendimento no futuro, tornar-se um boémio compulsivo, nunca mais fazer nada de excecional e ainda conseguir chegar à reforma com uma riqueza muitíssimo superior à maioria dos agregados familiares!
O custo? Terá de ver o seu património flutuar, de forma selvagem, todos os anos, talvez em 50% ou mais. Algumas pessoas não conseguem lidar com isto, não obstante as potenciais recompensas.
Um Mundo de Valor Intrínseco no Índice de Ações
É importante distinguir entre uma boa empresa e um bom preço por ação. As empresas que formam os componentes são, atualmente, boas empresas, segundo a unidade de medida do lucro obtido por capital investido. Mas até uma ótima empresa pode ser um investimento terrível se pagar a mais pelas suas ações.
Especificamente, a estes preços, penso que o "cesto" com estas 25 ações iria ter um desempenho médio ao longo de largos períodos de tempo, se a história valer de alguma coisa. As ações estão praticamente acima, ou quase em cima, da minha estimativa de valor intrínseco (com uma ou duas exceções). Prefiro um prémio de risco superior, conforme medido pelo spread entre os rendimentos obtidos e os títulos a 30 anos emitidos pelo U.S. Treasury, antes de definir o plano. A beleza do "dinheiro mudo" é que alguém que se dedique à indexação, não vai querer saber dele. Ficarão felizes com lucros médios, porque o baixo custo e o investimento mínimo a nível de tempo significariam que tinham uma oportunidade excelente em capturar mais de 99% dos lucros de mercado gerados pelas empresas subjacentes. É a média histórica de 7% de lucros reais que transforma 100.000€ em 3.000.000€, num investimento que não exige trabalho adicional, nem depósitos. Para a maioria das pessoas, a média é subestimada.

