Estes corretores costumavam-se encontrar por debaixo de um plátano na Wall Street, em Nova Iorque, reunindo-se para negociar as transações dos seus clientes. Depois, a 17 de maio de 1782, vinte e quatro corretores decidiram formar uma organização chamada The New York Stock & Exchange, mais tarde renomeada como "Bolsa de Valores de Nova Iorque (York Stock Exchange – NYSE no formato abreviado). Em 1793, começaram a encontrar-se no Tontine Coffee House, que mandaram construir com o objetivo de orientar negócios e de socializar com todas as classes sociais. Se alguém achasse que a nova padaria tinha um futuro promissor, podia ir ao café e negociar com o proprietário para comprar ações da empresa, esperando obter uma parte dos lucros. Da mesma forma, se alguém precisasse de dinheiro para construir uma casa ou mandar os filhos para a escola, poderia ir ao café para vender a sua quota de uma fábrica de têxteis.
A perceção de que a ideia de uma bolsa de valores é artificial que força os investidores a confundir o processo de investimento com o próprio investimento fez com que desconstruísse os componentes, para a minha própria compreensão:
- O objetivo do investimento é comprar lucros. Mais especificamente, o meu trabalho é comprar o maior lucro líquido possível.
- O preço a pagar pela minha parte dos lucros determina, em última instância, a taxa de rentabilidade que tenho sobre o meu dinheiro. Se eu pagar 10€ por 1€ de lucro líquido, a minha rentabilidade é 10%. Se eu pagar 20€ por 1€ de lucro líquido, a minha rentabilidade é 5%.
- Todo o dinheiro gasto em despesas transacionais (pagar ao corretor, pesquisar potenciais investimentos, etc) é dinheiro que sai da minha parte dos lucros, sendo diretamente cortado no meu lucro. Assim, os custos deverão ser mantidos no mínimo.
- Um proprietário não consegue vender a sua posição a não ser que exista um comprador disposto a comprá-la. Quando ouve "as pessoas estão a vender ações", este argumento não é válido, porque por cada vendedor tem de haver um comprador no outro lado da mesa. É também falso quando as pessoas estão a "comprar ações". A natureza da estrutura é que todos os lugares têm de estar preenchidos em simultâneo. Se uma empresa tem um milhão de ações a circular, alguém em algum sítio é proprietário dessas ações.
- O chamado "mercado" representa aquilo que as outras pessoas decidem fazer com o seu dinheiro. Sei, por experiência própria, que muitas pessoas, cheias de boas intenções, são um pouco inocentes quando lidam com negócios e dinheiro. Assim, confio mais no meu raciocínio, já experiente, do que nas suas ações coletivas. O meu trabalho é encontrar negócios dos quais quero ser proprietário, a preços razoáveis com base nos lucros e adicioná-los ao meu portfolio. Ao longo do tempo, se a minha avaliação tiver sido valida, o meu património deverá ter aumentado. Não me interessa se o aumento vem sob a forma de lucros sobre o capital à medida que outros investidores vêm o negócio como "demasiado barato", ou dividendos em dinheiro, à medida que os lucros são distribuídos pelos proprietários.
- As ações ordinárias, que é apenas outra forma de dizer"propriedade sobre o negócio", representam apenas um mecanismo através do qual eu posso fazer crescer o dinheiro. Nem sempre é o melhor mecanismo. Como Benjamin Graham nos ensinou: "A que preço e em que termos?" são as perguntas que devem ser respondidas antes de avançar com o dinheiro.
- Se conseguir controlar a totalidade de uma empresa e gerir, sozinho, os fluxos financeiros, o valor intrínseco da empresa poderá ser mais elevado do que se fosse apenas um acionista passivo.
- É inteiramente possível que o mercado de ações – o encontro de compradores e vendedores para trocar propriedade sobre os negócios – seja desligado por um longo período de tempo, talvez até anos. Isto já aconteceu antes, nos Estados Unidos, quando a bolsa foi fechada entre 31 de julho de 1914 e 28 de novembro do mesmo ano, devido à Primeira Guerra Mundial I. Nunca confie na liquidez da propriedade sobre os negócios para pagar as contas.
- Para aqueles que têm talento na área da gestão ou executiva, formar empresas novas – criar ações – é a forma mais segura de alcançar lucros com património. Apenas precisamos de olhar uma vez para a lista da Forbes dos 400 mais ricos para perceber isto. A principal razão é: os fundadores são capazes de comprar ações pelo valor contabilístico, capturando, praticamente, todo o retorno sobre património mais o valor capitalizado dos lucros.
- Com o tempo, mantendo-se as mesmas condições e assumindo avaliações razoáveis, o lucro obtido por uma ação irá espelhar, de forma muito pormenorizada, o retorno sobre património gerada pelo negócio subjacente.
- Utilizar a volatilidade como uma medida de risco (Beta) é inconsequente. O risco é a hipótese de ganhar taxas de retorno abaixo da média e ajustadas à inflação, conforme medido pelo valor líquido subjacente de ganhos futuros relacionados com o seu investimento.
- O mercado é, frequentemente, muito eficaz, principalmente nos países desenvolvidos. Mas todos os indivíduos e instituições, agindo em nome próprio, não o são. As pessoas nem sempre são racionais, nem sempre estão bem informados nem têm a mesma capacidade analítica. Outros factos, como a saúde emocional, podem pesar nas decisões de compra e venda e não têm nada a ver com a rentabilidade subjacente a uma empresa. Isto pode causar algumas oportunidades interessantes para aqueles que prestam atenção e que têm um excedente de ganhos e capital para investir nestas oportunidades.
Tentar basear as suas decisões financeiras naquilo que a bolsa de valores faz é um péssimo raciocínio. Deverá viver a sua vida construindo, criando, adquirindo e reunindo bens que geram grandes quantias de lucro em relação ao seu investimento e deverá utilizar o seu próprio raciocínio para fazer decisões. Não pode estar à espera de ser bem sucedido se deixar que os outros pensem por si.
