Como pode usar a correlação para aumentar os lucros e reduzir os riscos?
O primeiro aspecto a ter em conta é que alguns pares de divisas estão correlacionados. A correlação significa que os preços se vão comportar de forma semelhante. Se o par A está correlacionado com o par B, então se o par A sobe, o par B também sobe.
Sendo assim, é importante compreender que se o investidor abrir uma posição longa no par A e outra no par B, isso quer dizer que se ganha num, ganha no outro. Mas se perde num, também vai perder no outro.
Neste caso, o montante em risco é maior do que se possa pensar à partida, pois enquanto este investidor possa pensar que está a diversificar o risco apostando em dois pares diferentes, está na realidade a aumentá-lo e, ainda assim, a aumentar a complexidade da sua negociação.
Por outro lado, existem pares de divisas que se correlacionam negativamente. Isto quer dizer que se um par sobe ou outro desce, e vice-versa. As conclusões são idênticas à do exemplo anterior: se o trader abre uma posição longa num dos pares e uma posição curta no outro, poderá ser levado a pensar que está a diversificar o risco, quando na realidade o está a aumentar.
Portanto, sempre que analisamos a correlação entre pares de divisas, devemos ter presente que se trata de uma questão de grau. A correlação pode ser maior ou menor, numa escala de zero a um, em que zero significa que não existe qualquer correlação entre os pares e um significa uma correlação perfeita. Também pode ser negativa, caso em que a escala varia entre zero e menos um (-1).
Vejamos a correlação entre dois pares de divisas semelhantes: o AUD/USD e o NZD/USD. Como se correlacionaram estes pares durante o ano de 2010? Verifique os seguintes coeficientes de correlação:
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1 mês: 0.83
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3 meses: 0.75
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6 meses: 0.51
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1 ano: 0.47
O que se pode concluir desta análise é que se tivesse aberto uma posição longa num dos pares no último mês, isso seria praticamente equivalente a abrir uma posição longa no outro. De facto, o coeficiente de correlação de um mês é de 83%, o que significa que a evolução diária do preço de um é 83% semelhante à do outro.
Se observarmos os dados cuidadosamente, verificamos que quanto mais longo é o prazo, menor é o coeficiente de correlação, o que é óbvio. É expectável que os preços mantenham performances muito próximas no curto-prazo, mas à medida que o tempo passa, as diferenças vão sendo mais notórias.
Como se pode medir a correlação de uma forma simples?
Actualmente, qualquer plataforma de negociação forex permite exportar para CSV ou Excel uma lista com os preços de todos os pares. Para calcular o coeficiente de correlação entre dois pares, basta listá-los lado a lado, com as mesmas datas e usar a função CORREL. Não poderia ser mais simples.
Também existem várias ferramentas on-line que permitem fazer o cálculo de forma automática. Basta procurar no Google.
Correlações negativas
Por vezes, usar um gráfico também ajuda a visualizar o efeito das correlações. Vejamos o caso dos pares EUR/USD e USD/CHF:

Como podemos verificar, estes dois pares apresentam uma correlação negativa. Quando o preço de um sobe, o outro desce. Isto significa que abrir uma posição longa num dos pares e uma posição curta no outro representa aumentar o capital em risco a simultaneamente o potencial de lucros. Mas abrir duas posições longas ou duas posições curtas seria o mesmo que anular os lucros de um par com os prejuízos do outro, o que na maior parte das vezes não permitirá obter resultados muito interessantes.
Portanto, analisar as correlações entre pares de divisas permite:
- Evitar abrir posições simétricas quando o coeficiente de correlação é próximo de 1
- Evitar abrir posições idênticas quando o coeficiente de correlação é próximo de -1
- Diversificar o risco quando o coeficiente de correlação é próximo de 0.
Aqui fica um exemplo de correlações de preços diários entre várias divisas:

