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Juntar a análise técnica e a análise fundamental

Escrito por  Nuno Nogueira
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Já se publicaram milhares de livros sobre como fazer muito dinheiro nos mercados. Todo esse conhecimento acerca do mercado pode ser dividido entre a análise técnica e a análise fundamental. Mas qual é a mais importante ou válida?

Na verdade, os profissionais do mundo financeiro dividem-se entre os fundamentalistas puros, que dizem que a análise técnica é um absurdo, e os técnicos dedicados, que estão sempre prontos a provar a validade das suas análises com resultados financeiros. No entanto, há um terceiro grupo - um que prefere usar todas as ferramentas ao seu dispor. Para eles, tentar usar apenas uma das análises é como procurar um tesouro com apenas uma parte do mapa.

Naturalmente, para se conseguir tirar o máximo de cada um, um especulador tem de compreender os pontos fortes e os pontos fracos de cada um. A fundamental, com a concentração de valores económicos intrínsecos, funciona bem para realizar investimentos a longo prazo, uma vez que as pessoas conseguem aproveitar o crescimento da economia, os ganhos previstos das empresas e a inflação e as taxas de juro para conseguir resultados razoáveis. No entanto, para o 'day trading' de curto prazo e para conseguir um timing de mercado, não é aconselhável procurar a análise fundamental, uma vez que tudo pode mudar de um dia para o outro.

A análise técnica, por outro lado, consegue identificar qualquer tendência numa qualquer tabela temporal, quer seja uma coisa de um minuto ou de um ano. Mas os seguidores da análise técnica têm de lidar durante muito tempo com períodos em que os mercados não apresentam tendências, quando os movimentos laterais conduzem a perdas obrigatórias. Já os especuladores que gostam de transaccionar sinais acima do preço que funcionam bem em mercados laterais, sofrem imenso em períodos com tendências fortes e prolongadas.

Logo, o método lógico será usar a análise fundamental para decidir que mercado procurar e quando transaccionar, baseando essa decisão numa data macro ou micro económica, e deixar os tempos de entrada e de saída para os sinais técnicos. Assim, as acções individuais podem ser analisadas segundo expectativas de crescimento, as moedas podem ser analisadas segundo taxas de juros e de inflação e os índices mundiais segundo o crescimento do PIB. Por outras palavras, porquê seguir os sinais técnicos quando os princípios fundamentais de uma acção são altamente questionáveis? Num ambiente de inflação baixa, é provável que os bens acabem por ser diluídos em padrões laterais, portanto, de que serve usar médias de movimento como uma ferramenta para seguir uma tendência para transaccionar? A análise fundamental serve como filtro para escolher a ferramenta técnica adequada. Se tanto a análise fundamental como a técnica apontam para o mesmo lado, então é esse o caminho a seguir.

No entanto, alguns especuladores de sucesso usam estas análises de forma completamente diferente. Procuram divergências repentinas. As divergências ocorrem quando ambas as análises apontam para determinado lado, como aconteceu no ano passado, com os relatórios económicos e as tendências a revelar uma recessão e um mercado aberto. Mas, de repente, pouco depois de ser lançado um relatório económico importante, que deveria dar continuidade à tendência (em Março deste ano, os números do desemprego revelaram-se piores do que o esperado, o que costuma ter um impacto muito negativo no mercado), os mercados viraram e mudaram de direcção (tanto o Dow Jones como o S&P500 acabaram a 6 de Março), provocando uma divergência temporária entre as duas análises.

Os que transaccionavam seguido as duas análises começaram a comprar a 6 de Março ou pouco depois. O que lhes passou pela cabeça foi que, uma vez que as más notícias não estavam a provocar a queda do mercado, então a hipótese de que subisse era um risco que valia a pena e quando o sinal técnico diz para comprar, compra-se. Neste caso específico, os fundamentalistas iam, provavelmente, continuar a vender e a perder dinheiro (o mercado subiu muito desde esse dia), afirmando que o mercado iria descer, segundo a informação que tinham. O técnico puro diria que o mercado tem sempre razão, pelo que não vale a pena discutir - só restava assumir a transacção e ter pensamento positivo. Mas acabariam por assumir muitas outras transacções, muitas delas com baixa probabilidade de ser rentável.

Independentemente da estratégia que escolha, tem de criar um plano exacto do que quer transaccionar. Sem um plano de investimentos, o seu conhecimento é inútil, já que a pressão do mercado tem o dom de paralisar as pessoas. E sim, o 'day trading' pode ser uma das ocupações mais recompensadoras financeiramente que se pode ter, mas também é uma das mais difíceis de dominar. Para tal, terá de ir além do conhecimento básico da análise fundamental e da análise técnica. Terá de embarcar na estrada do auto-conhecimento.

«Em última análise, os homens apenas atingem aquilo a que apontam.»

Henry  David   Thoreau,  naturalista escritor americano


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Úlima modificação em Quinta, 30 Dezembro 2010 10:18
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