Pub

Pub

Os mais lidos hoje

 

As finanças comportamentais e o papel das emoções nos investimentos

Escrito por  Nuno Nogueira
Avalie este Item
(1 Voto)

Durante décadas, a análise fundamental reinou suprema como a única estratégia de investimento válida, até que o computador pessoal abriu caminho ao desenvolvimento da análise técnica.

Ainda assim, parecia que havia uma lacuna que nenhum dos dois tipos de análise era capaz de suprir. Senão, como era possível que alguns investidores e especuladores experientes, com conhecimentos e sucesso acabavam por perder tudo o que tinham?

As respostas e as soluções surgiram de uma perspectiva completamente nova, com a abordagem a uma análise psicológica: as finanças comportamentais, como muitas vezes lhe chamam nos círculos académicos.

Esta nova ciência afirma que é importante conhecer não só os mercados, mas também a forma como aplicamos esse conhecimento. Isso explica os efeitos que as emoções e os comportamentos completamente ilógicos têm sobre as decisões financeiras.

Um dos primeiros estudos sobre esta área surgiu no final da década de 1970, quando os psicólogos cognitivos Daniel Kahneman e Amos Tversky desenvolveram a Teoria de Prospecção. A base desta teoria assenta na aversão ao risco. Para demonstrarem o que isso quer dizer ao certo, os investigadores deram duas escolhas a sujeitos de teste:

1-Ganhar $100 ou

2-Ganhar $200 e perder $100 de imediato.

Em quase todos os casos, os sujeitos preferiram a primeira opção (apesar de ambas resultarem no mesmo lucro). Esta análise mostra que a imagem emocional de perda é muito mais forte do que a que resulta do ganho da mesma quantia, o que significa que perder $100 tem muito mais impacto psicológico do que ganhar $100.

Anos mais tarde, este primeiro estudo foi combinado com o estudo de emoções impulsivas, o que revelou dois medos básicos que representam um perigo significativo para os investidores.

O primeiro é o medo de perder uma oportunidade. Isso faz com que uma pessoa se lance prematuramente num negócio, antes mesmo de haver um indicador claro do mercado. No entanto, o outro medo é, potencialmente, pior, o medo de errar, de perder dinheiro. Isso vai fazer com que os investidores que usam a razão não consigam reconhecer que o investimento em que apostaram é claramente errado, fazendo com que as perdas cheguem a níveis inimagináveis.

Esse mesmo sentimento vai fazer com que os investidores que estão a conseguir algum lucro não se apercebam do potencial total dos seus ganhos. Receando perder tudo, acabam por sair do negócio demasiado depressa, ganhando pouco. Além disso, o medo da perda pode pressionar os analistas a recusar um bom investimento, mesmo que cumpra todos os parâmetros fundamentais e técnicos. Quando o negócio se revela altamente lucrativo, o medo transforma-se em raiva. O que leva a outro erro provocado pela emoção.

A raiva de cometer erros pode facilmente fazer com que o moral e a auto-estima caiam para níveis baixíssimos. Por seu turno, isto pode fazer com que as pessoas sabotem as próprias hipóteses de sucesso. Há uma tendência para começar a comprar quando na verdade se quer vender ou para desenvolver comportamentos de distracção em momentos cruciais do dia. Nos mercados, costuma-se dizer que as pessoas procuram aquilo que acreditam que merecem.

Independentemente dos danos que essas emoções negativas nos provocam, os sentimentos de euforia provocados pelo sucesso constante também são danosos. O excesso de confiança pode levar à cobiça e fazer esquecer a razão. Quando sob essa influência, os investidores alteram as suas rotinas, como, por exemplo, não seguir os parâmetros de selecção de investimento ou não aplicar um mecanismo de controlo de riscos. Tudo isto tem o potencial de resultar em perdas clamorosas.

Além disso, o comportamento ilógico pode ocorrer não só das emoções, mas também das noções erradas. A Falácia do jogador representa um exemplo perfeito disto. Começa com uma noção de probabilidade errada. As pessoas com tendência para esta noção apostam em cara depois de verem uma moeda a sair cara três vezes seguidas ou então não estão dispostas a vender depois das últimas transacções terem sido bem sucedidas.

Outra questão a que os investidores têm de estar atentos é à susceptibilidade para o "comportamento de rebanho", quando os indivíduos permitem que outra pessoa tome as decisões. Imitam o que os outros fazem, desligando as suas próprias percepções. Esta atitude é um derivado da vontade de não ser responsabilizado.

No entanto, todos sabemos que a ignorância não é desculpa. Basta aplicar este princípio para o desempenho financeiro começar a melhorar rapidamente. Na verdade, a responsabilização é o melhor que podemos fazer por nós mesmos. Significa que estamos a controlar a nossa felicidade e destino, a abrir o caminho para nos tornarmos em grandes investidores ou especuladores.

Registe-se e receba actualizações gratuitas no seu email

Úlima modificação em Quinta, 30 Dezembro 2010 10:25
Faça Login para poder publicar os seus comentários
Plus500