Investir com inteligência pode proporcionar grandes retornos a longo prazo, mesmo para pequenos investidores. Pelo contrário, investir desconhecendo os princípios básicos costuma ser o mesmo que mergulhar num mar de tubarões.
Antes de mais, o investidor tem de compreender a forma como o risco "comunica" com o retorno esperado. O risco é o core business do investidor, porquanto maiores retornos implicam maiores níveis de risco.
Assim, é essencial que os investidores conheçam os tipos de risco de investimento que podem ou têm de enfrentar:
- Risco de negócio: a possibilidade de uma empresa falhar devido a competição feroz, má gestão ou falência;
- Risco de avaliação: constitui uma potencial risco avaliar uma acção ou venda de um instrumento financeiro no mercado, com a maturidade ou o preço de venda a ser inferior ao que se esperava do instrumento financeiro.
- Risco de venda forçada acontece quando um investidor antecipa os ganhos conseguidos das acções, mas depois tem de vender o bem porque a previsão não se concretizou.
Correr mais riscos pode levar a maiores retornos, mas um investidor deve ser capaz de compreender e ser capaz de identificar o grau do risco no caso dos retornos mais elevados. Lembre-se - pode-se perder ou ganhar mais dinheiro consoante o tempo disponível e pode perder ou ganhar a mesma quantia ou mais do que está disposto a perder.
Pode usar a pirâmide de risco para controlar os seus bens, uma pirâmide com três níveis: a base, o meio e o cume. A base da pirâmide serve como alicerce ou fundação que suporta todos os outros bens dos restantes níveis da pirâmide e é composta de bens de baixo risco e com retornos previsíveis. A parte do meio compõe-se de bens que também permitem retornos e que são moderadamente arriscados, apesar também serem relativamente seguros. Por fim, o cume, com bens de risco elevado, deve ser a parte mais pequena da pirâmide e deve compor-se dos bens que podem ser perdidos sem grande impacto em relação aos investimentos estáveis. Os riscos e os retornos têm uma relação directa - se arriscar mais, vai ter maiores probabilidades de ganhar mais, mas, ao mesmo tempo, existem maiores probabilidades de perder mais.
No entanto, o dinheiro que não se investe também corre riscos. Ninguém quer desperdiçar uma oportunidade de investimento e rentabilidade. Assim, os investidores têm de planear e certificar-se de que investem a quantia certa de dinheiro, na altura certa e no local certo.
Outro aspecto do investimento é a liquidez, que se traduz na capacidade de transformar um bem em dinheiro num curto período de tempo. A liquidez é importante porque é muito mais fácil tornar o produto do investimento em dinheiro se os bens forem líquidos. Isto ajuda a evitar perdas quando o mercado cai. É preciso perceber até que ponto se pode obter liquidez de um bem. Por exemplo, os mercados Forex (mercados de cambiais) proporcionam grandes níveis de liquidez, asseguram dinheiro imediato, as contas de poupança a longo prazo, pelo contrário, poderão ter menos liquideza, assim como alguns tipos de acções e de obrigações.
As emoções têm o seu papel nos investimentos. Por exemplo, os investimentos podem ser baseados nas preferências do investidor, que estão relacionadas com o teor, o como, o porquê do que sente vontade ao investir em determinado bem. As pessoas têm tendência a opinar bastante quando se trata de investir. E, pior ainda, quando alguém discorda da decisão de investimento, vêem a discussão como um ataque pessoal. No entanto, quando se trata de lidar com as emoções nos investimentos, é preciso ter em conta que a investigação pode exigir que o investidor tenha capacidades de pensamento mais críticas do que a mera emoção. É isto que a economia comportamental, um ramo da economia que recorre a teorias da psicologia para explicar questões do mercado bolsista, tenta fazer.
Assim, esta teoria salienta que as pessoas podem não ser tão racionais como quando analisadas à vista da teoria económica tradicional, como provam os "fracassos" de decisões de investimento que não seguem as noções básicas. Um exemplo da aplicação da economia comportamental é a sua capacidade em determinar a importância de pressupostos irrealistas e calmantes no comportamento dos investidores. Isto faz com que o processo de decisão de investimento seja mais única para o investidor, já que adiciona características mais individuais que podem ajudar a tomar uma decisão. Apesar de esta vertente não prometer "investimentos milagrosos", pode ajudar os investidores a prepararem o comportamento e as decisões de investimento, evitando, assim, que danifiquem os seus bens pessoais.
Por seu turno, isto leva-nos aos estilos de investimento que alimentam estes comportamentos - o investimento a longo prazo e a especulação a curto prazo.
Quando se tem uma carteira de acções, as pessoas dizem que somos "investidores". No entanto, isso nem sempre é assim. Quando alguém compra uma acção ou um título, tanto pode ser um investidor como um especulador. Alguém que avalia cuidadosamente uma empresa e determina com precisão quanto vale, como investidor, vai comprar a acção se esta tiver um valor abaixo do seu valor essencial. Um investidor toma as suas decisões de investimento sem se deixar levar pelas emoções. Vê as acções como um compromisso a que quer recorrer a longo prazo. A longo prazo, os efeitos são compostos - se a altura for boa, o efeito de bola de neve nos investimentos é algo a que um investidor não vai conseguir resistir.
Além disso, reduz-se os custos em comissões, já que um investidor não precisa de fazer tantas transacções; pode até ganhar com o pagamento de dividendos. Adicionalmente, a volatilidade é inferior quando se mantém um investimento em carteira durante mais tempo, o que torna os riscos menores, tornando mais provável um aumento significativo dos lucros. No entanto, como se está a manter os investimentos durante mais tempo em carteira é como se se tivesse um compromisso para toda a vida e tem de se ter paciência - não se vai conseguir lucro de um dia para o outro. Mais, mesmo que a volatilidade seja menor, vai demorar algum tempo até baixar e poder observar movimentos drásticos de preço.
Por outro lado, um especulador pode comprar uma acção pela simples vontade de o fazer. O mais frequente é o especulador apostar em quando vai conseguir o seu lucro e não analisa ou avalia a acção que compra. Procura apenas os benefícios a curto prazo daquilo que compra. Nas transacções a curto prazo, consegue-se um lucro quase imediato, principalmente em sessões de mercado fortes. Como não se quer ficar com as acções muito tempo, para não perder o investimento quando o mercado cai, fica-se com "dinheiro vivo" no bolso. No entanto, basta um erro na retenção da acção para acabar com tudo. E mais, como tem de saber como o mercado se está a movimentar, perde muito tempo a monitorizar tudo.
Normalmente, as pessoas optam por investir a longo prazo quando são jovens, pensando na reforma, uma vez que não têm a certeza de que esta vai ser suficiente, principalmente se ocorrer algo de inesperado. Ao investir a longo prazo com uma perspectiva de valorização, procura-se ter estabilidade financeira o mais cedo possível e, frequentemente, abdica-se do dinheiro "já" em troca de um futur mais estável. À medida que o investidor envelhece, o horizonte temporal deve ser mais curto e, necessariamente, o seu perfil terá de ser mais conservador pois caso ocorra um crash nos mercados poderá não restar muito tempo para uma recuperação eficaz.

