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A importância da liquidez nas decisões de investimento

Escrito por  Nuno Nogueira
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A liquidez é uma característica fundamental a considerar numa decisão de investimento. Resumidamente, definimos liquidez como o grau de conversão de um activo em dinheiro. Dizemos que um activo é tão mais líquido quanto mais fácil fôr convertê-lo em notas e moedas. Pelo contrário, um activo pouco líquido é difícil de vender.

Imagine que está no meio do deserto a morrer de sede. Faz um buraco na areia e encontra... petróleo. Está rico, mas vai morrer de sede! Este exemplo demonstra bem a importância da liquidez: independentemente do valor de um activo, é necessário que ele seja líquido. Se não fôr possível "transformar" petróleo (ou outro bem qualquer) em dinheiro, para que possa comprar o que necessita (água), o seu valor desaparece.

Ao contrário do que todos pensam, não é difícil fazer dinheiro, mas é preciso aderir a umas quantas regras básicas quando se trata de investigar e uma dessas regras refere-se à liquidez. Comecemos por definir o que o termo quer dizer antes de começarmos a explicar a sua importância para todas as decisões de investimento.

Liquidez - Quando e como pode um activo ser vendido

A liquidez é o termo usado para nos referirmos à "quantia" pela qual um bem pode ser comprado e vendido sem que o preço seja afectado. No caso das acções, também se refere à capacidade de um accionista em vender rapidamente a acção. Muitas vezes, os novos investidores preferem bens líquidos uma vez que podem ficar com o dinheiro mal precisem dele.

Os Investimentos a Longo Prazo são feitos para Durar

Um investimento a longo prazo tem uma liquidez baixa. Por exemplo, os Planos Poupança Reforma (PPR) são pouco líquidos, uma vez que sobre eles recaem taxas e outras penalizações pesadas associadas à sua liquidação antecipada. Alguns fundos só permitem a sua conversão em dinheiro após algum tempo de permanência, outros ainda, oferecem condições mais vantajosas quanto maior for a "fidelidade" do investidor.

As acções transaccionadas nos principais mercados de capitais são títulos de elevada liquidez. Não é difícil comprar e vender acções das empresas que compõem o PSI 20, por exemplo. Na maior parte dos casos, trata-se de uma questão de poucos minutos desde o momento em que a ordem é dada até que é completamente executada.

Faça uma Boa Combinação

Os investidores devem ter uma combinação de acções de elevada liquidez e de baixa liquidez. O motivo para que uma carteira de investimento deva ter uma quantidade razoável de acções de elevada liquidez é que as pessoas precisam de alguma liquidez para as despesas imprevisíveis, como, por exemplo, o desemprego, problemas de saúde ou necessidade de incorrer em despesas repentinas. Todos os investidores de sucesso têm uma carteira variada. Isto significa que têm uma certa percentagem de investimentos de elevada liquidez e outra percentagem de investimentos a longo prazo.

Quando se está a pensar em acrescentar acções ou outros activos de elevada liquidez a uma carteira, uma das questões mais importantes que se deve colocar é a de saber qual o grau de liquidez adequado. A maior parte dos investidores precisa de uma liquidez moderada para lidar com despesas ou prejuízos imprevistos.

Assim, se tiver todo o seu capital investido em PPR, preocupe-se. Caso tenha uma surpresa desagradável e necessite do dinheiro vai ser extremamente difícil recuperá-lo no curto prazo. Pelo contrário, se tem todo o seu dinheiro investido em depósitos a prazo, está a perder a oportunidade de alcançar retornos mais elevados no médio e longo prazo.

Os investimentos a longo prazo são, sem dúvida, necessários e essenciais para questões de fundo como o planeamento da reforma ou a compra de uma nova casa, mas investir a longo prazo significa que nunca deve usar o capital antes da sua maturidade e é por isso mesmo que as acções líquidas têm de fazer parte de uma carteira. Estas geram lucros, mas pode vendê-las a qualquer momento e usar o dinheiro para as suas necessidades.

Liquidez não significa dispensável

As acções podem ser compradas e vendidas à vontade. Isto significa que os investidores podem planear reter uma acção durante muito ou pouco tempo, sem terem de se comprometer durante determinado período, como acontece com os investimentos a longo prazo.

Mas é preciso ter atenção, mesmo com bens de elevada liquidez, que um investidor não deve comprar e vender uma acção rentável num período relativamente curto. Quanto mais a longo prazo for feito o investimento, maior será o lucro. De facto, a maior parte dos  investidores mais experientes sugere que deve ser criado um fundo de emergência, de onde o investidor pode retirar dinheiro caso seja preciso.

Um dos motivos que leva os novos investidores a falhar é a incapacidade de verem o investimento a longo prazo. Olham para os investimentos líquidos como uma forma rápida de ter lucro, mas isso nem sempre acontece assim. Uma acção pode só dar lucro passado um ano e pode até tornar-se rentável passado dois ou três anos.

«Não se descobem novas terras sem se largar da vista a costa durante muito tempo.»

André  Gide,  Romancista  francês galardoado com o Prémio Nobel


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Úlima modificação em Quinta, 30 Dezembro 2010 10:31
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