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Investir em opções

Escrito por  Nuno Nogueira
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Como um dos investimentos com maior nível de risco, as opções são um instrumento financeiro que deve ser evitado pela maioria dos investidores. Mas se é um investidor experiente e se procura uma rentabilidade acima do normal, informe-se bem sobre o funcionamento das opções e aproveite.

As opções são activos financeiros derivados, o que significa que o seu valor "deriva" de outros activos a eles subjacentes. Sejam eles acções, obrigações, mercadorias, taxas de câmbio, ou taxas de juro, entre outros. Para se avaliar o valor das opções é necessário compreender bem o valor destes activos subjacentes.

O que são opções?

Podemos definir opções da seguinte forma: são contratos que dão ao comprador o direito, mas não a obrigação, de comprar (no caso de opções de compra) ou vender (no caso de opções de venda) um activo subjacente a um preço pré-determinado, antes de ou até uma data de vencimento específica. Na gíria financeira, chamamos "call" às opções de compra e "put" às opções de venda. Ao preço de compra ou de venda, damos o nome de "striking price ou exercise price".

Para que o comprador de opções usufrua do direito de comprar ou vender um determinado activo a um determinado preço, terá naturalmente de suportar um custo. A esse custo chama-se "prémio". O prémio é determinado por diversos factores que têm em conta o valor do activo subjacente, o striking price, a volatilidade do activo subjacente e o tempo até à maturidade (quanto mais longo for o tempo até à data de expiração, mais difícil é avaliar o prémio). Com todos estes factores a influenciarem o prémio, o seu cálculo é bastante complexo.

Então imaginemos o cenário seguinte: o investidor compra uma call sobre as acções de uma empresa cotada em bolsa, com um strike price de €25 e cuja data de vencimento ocorre dentro de 3 meses. O comprador adquire assim o direito de comprar acções dessa empresa a €25, enquanto o vendedor tem a obrigação de as vender a esse preço. Claro que se o preço das acções subir para valores superiores a €25, o comprador da call, vai realizar um lucro e o vendedor um prejuízo.

Este exemplo serve para demonstrar que o investimento em opções representa sempre um ganho, para uma das partes do contrato, e um prejuízo de valor simétrico, para a outra. É um jogo em que nada se acrescenta: o que uns ganham, outros perdem. Se a esta característica aliarmos a "alavancagem" e a índole especulativa da maior parte dos investidores (cerca de 80 a 90% do mercado), começamos a ter uma ideia do nível de risco do investimento em opções.

De facto, a especulação é a forma mais expedita para se ganhar e perder grandes quantias de dinheiro. O uso de opções de forma especulativa é o que as torna tão arriscadas. Isto acontece porque quando se compra uma opção, tem de se acertar, não só na direcção do movimento da acção (vai subir ou descer?), mas também na amplitude e no momento do movimento. Para se ganhar com opções, tem de se prever com exactidão se a acção vai subir ou descer e tem de se estar correcto sobre a mudança do preço e da altura em que isso vai acontecer. A combinação destes factores significa que o jogo das probabilidades está, por definição, fortemente contra o especulador. Por outro lado, quando se acerta, ganha-se muito mais. Quando se controla 100 acções com um contrato só, não é preciso grandes flutuações de preços para se conseguirem lucros magníficos!

As opções são instrumentos financeiros muito voláteis, que permitem aos investidores mais sofisticados adoptar praticamente qualquer tipo de estratégia de investimento. Permitem ganhar quando o mercado cai, ampliar os ganhos quando o mercado sobe, gerar rendimentos periódicos e mesmo limitar perdas abaixo de determinados valores.

Alías, foi precisamente como forma de cobertura de risco que se conceberam os primeiros contratos de opções. Os historiadores apontam as suas origens à Grécia Antiga, tempo em que o filósofo Tales de Mileto celebrou um contrato com todos os produtores de azeitona da sua região de forma a "segurar" antecipadamente o preço da totalidade da produção. Como a colheita foi melhor que inicialmente previsto, é-lhe (justamente) reconhecido o estatuto de primeiro especulador a enriquecer com contratos de opções.

As opções permitem ainda hoje aos agricultores protegerem-se contra as descidas dos preços das mercadorias. Às empresas exportadoras contra as desvalorizações das divisas dos países de destino das suas vendas e é curioso que praticamente todos nós usamos opções na nossa vida diariamente. Os seguros contra incêndio ou contra roubo não são mais do que um contrato que nos permite repor determinados bens (a casa ou o automóvel, por exemplo) a um determinado preço. Quando sinalizamos a compra de uma casa nova temos a opção de a comprar a um determinado preço, dentro de um determinado período de tempo; caso contrário, perdemos o sinal que pagamos. Portanto, ainda que a esmagadora maioria do mercado de opções se deva a especulação financeira, cremos que elas têm um papel importante nos mercados financeiros enquanto instrumento de cobertura de risco. As opções permitem comprar a "certeza" no futuro.

Estratégias de investimento em opções

Utilizando o exemplo acima, poderíamos representar graficamente uma estratégia de compra de um contrato (100 acções) de uma call durante os próximos três meses, com um strike price de €25 e um prémio de €2 da seguinte forma:

Compra de call option - http://sheet.zoho.com

Quanto mais o investidor esperar que o preço da acção suba neste período, maior vai ser a sua aposta nesta call. Note-se que como existe um prémio de €2, ele só vai realizar um ganho se exercer o seu direito de compra acima dos €27. Neste valor ele fica numa situação de indiferença (€27-€25)*100 será o ganho ao qual subtrairá o prémio de €2*100. Qualquer que seja a cotação abaixo deste valor, implicará sempre uma perda.

Se o preço, durante os próximos três meses, se situar abaixo dos €25, o investidor não exercerá o seu direito de comprar as acções pois será preferível comprá-las no mercado a preços inferiores. Nestes casos, sofrerá a perda referente ao prémio no valor de €200. Pode sempre deixar passar o prazo de vencimento, tornando a opção inválida.

Se, ao fim de 5 semanas, o preço das acções atingir os €30 e o investidor fechar a sua posição, o lucro será de €300 já descontando o prémio de €200 que teve de suportar. Neste caso o ganho será de 150% sobre o valor investido!

Colocando-nos agora do lado oposto desta posição, poderíamos apostar na venda a descoberto de uma opção de compra. Neste caso, o resultado esperado desta posição iria variar em função do preço das acções mas de forma simétrica. O nosso investidor estaria condicionado pelo exercício do direito de compra do detentor da call a preços superiores a €25 e ganharia o prémio de €200 descontado das perdas das vendas abaixo do valor de mercado.

Graficamente teríamos o resultado da posição conforme o seguinte gráfico.

Venda a descoberto de call - http://sheet.zoho.com

Tal como referimos anteriormente, o resultado combinado das duas posições é nulo: o que um investidor vai ganhar é o simétrico das perdas do outro, resultando um ganho apenas para os intermediários que cobram as respectivas comissões.

Vejamos agora um cenário possível para uma estratégia de compra de uma opção de venda (put option) com valores idênticos para facilitar a compreensão. Neste caso, o nosso investidor vai apostar na descida das cotações de suporte. Se considerarmos então um strike price de €25 e um prémio de €2, quanto mais descerem as cotações, mais ele vai ganhar:

Compra de put option - http://sheet.zoho.com

E, tal como vimos no exemplo das call options, a venda a descoberto da posição de compra teria uma posição esperada simétrica à put option:

Venda a descoberto de put - http://sheet.zoho.com

A partir destas quatro estratégias de investimento simples podemos construir outras mais elaboradas. O investidor pode apostar num intervalo de preços, dentro (ou fora) do qual obtém sempre um ganho, conforme demonstramos nos gráficos seguintes:

Compra de call e compra de put - http://sheet.zoho.com Venda de call e venda de put - http://sheet.zoho.com

A partir daqui é a imaginação a falar e não existe realmente limite quanto ao tipo de estratégias complexas do investimento em opções, sendo as mais conservadoras as que passam por combinar a compra de puts com a compra do activo subjacente, protegendo-se assim contra a descida dos preços no mercado. Supondo, por exemplo, que decide comprar 10.000 acções da empresa X ao preço de €10. Poderia ser interessante proteger o seu investimento comprando puts com um strike price de €8 e uma maturidade de 3 meses. Neste caso, independentemente das flutuações dos preços das acções no mercado, teria sempre o direito de as vender a €8. Uma vez que cada put controla 100 acções, necessitaria de 100 contratos para proteger as 10.000 acções que comprou. No fundo, comprou o direito de dormir descansado durante 3 meses.

Especular e ganhar com opções

Supondo agora que pretende comprar acções da empresa Y, que são transacionadas no mercado a €20. Se quiser comprar 1.000 acções desta empresa teria de investir €20.000. Mas se comprar vinte calls com um preço de exercício de €20 a €6 cada, o investidor adquire o direito de comprar 2.000 acções a €20 (dentro do período de maturidade) a um custo de apenas €12.000 (prémio de €6 * 20 contratos * 100 acções por contrato). O que acontece se o preço das acções subir para €40 antes da data de vencimento? Vejamos no quadro seguinte:

Lucro ou prejuízo da posição

Cotação

20 calls

1.000 acções

€ 10

€ -12.000

€ -10.000

€ 15

€ -12.000

€ -5.000

€ 20

€ -12.000

€ 0

€ 25

€ -2.000

€ 5.000

€ 30

€ 8.000

€ 10.000

€ 35

€ 18.000

€ 15.000

€ 40

€ 28.000

€ 20.000

€ 45

€ 38.000

€ 25.000

Neste cenário, o investidor em 20 opções de compra realiza um lucro de €28.000 com um investimento de apenas €12.000, o que representa uma rentabilidade de 233% sobre o capital investido! O investidor em 1.000 acções lucrará €20.000 com um investimento de €20.000. É este o poder da alavancagem e da especulação a funcionar.

Como se valorizam as opções?

O valor das opções pode ser decomposto em duas partes: o seu valor intrínseco e o seu valor temporal.

O valor intrínseco pode definir-se pela diferença entre o preço do activo subjacente e o preço de exercício. Se o preço de exercício for igual ao preço do activo subjacente, dizemos que a opção está "at the money". Se o preço do activo subjacente for superior ao preço de execício, a opção diz-se "dentro" ou "in the money". No caso do preço do activo subjacente ser inferior ao preço da opção, então denomina-se "fora" ou "out of the money".

valor

 

O valor temporal das opções está directamente relacionado com o facto de ser mais difícil prever o comportamento dos preços de mercado do activo subjacente, quanto mais longo for o tempo até à maturidade. Como é óbvio, após a data de maturidade o valor das opções é nulo.

É pois interessante analisar o facto de que apenas cerca de 10% das opções são efectivamente exercidas, sendo 60% vendidas e 30% expirarem, de acordo com a CBOE (Chicago Board Options Exchange).

Quanto à avaliação do prémio do contrato de opção apoiamo-nos no modelo de Black e Scholes, desenvolvido por Fischer Black e Myron Scholes e cuja fórmula é a seguinte:

blackscholes

em que:

C é o valor do prémio de uma opção de compra;

P é o valor do prémio de uma opção de venda;

S é o preço corrente do activo subjacente;

N(d) é a função de distribuição acumulada da distribuição normal reduzida;

K é o preço de exercício da opção;

r é a taxa de juro de um activo isento de risco expresso numa base anual;

t é o tempo restante até à data de maturidade.

Se acha demasiado difícil calcular o prémio das opções através deste modelo, não se preocupe que nós também achamos! Fica aqui como referência e homenagem aos brilhantes académicos que o desenvolveram.

Em resumo, fica a mensagem que as opções têm a grande vantagem de permitir alavancar investimentos com um capital muito inferior ao que seria necessário para investir nos respectivos activos subjacentes (nomeadamente em acções), em primeiro lugar. Em segundo, que são excelentes mecanismos de protecção contra os riscos do mercado (seja o preço dos cereais, as taxas de câmbio ou as cotações de acções) e, por último, a grande flexibilidade para servir praticamente qualquer estratégia de investimento.

Neste momento, adquiriu um conhecimento básico sobre opções, que não deve ser ainda suficiente para entrar no mercado a negociar como um profissional, mas, se lhe interessa o assunto, pode usar o nosso fórum e trocar ideias com outros utilizadores e recolher mais informação.

«No momento em que pensamos da independência para a interdependência, passamos para um papel de liderança.»

Stephen  Covey, guru americano do auto-aperfeiçoamento


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Úlima modificação em Quinta, 30 Dezembro 2010 10:32