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5. Bancos, Inflação e Juros

Escrito por  Admin
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Ainda que a nossa confiança nos bancos ande actualmente pelas ruas da amargura, temos que admitir que não conseguimos viver sem o nosso sistema financeiro. Somos seres materialistas e vivemos com esta "dependência" dos bancos de uma forma relativamente pacífica há muitos anos. Como devemos lidar com os bancos e como é que eles cuidam do nosso dinheiro, tendo em conta os perigos da inflação e dos juros?

Um banco continua a ser o local mais seguro para guardar o seu dinheiro.

Mesmo que isto pareça óbvio, lembre-se que a segurança e a conveniência de termos uma conta bancária se pagam. Por essa razão, é justo que os bancos ofereçam juros inferiores pelas remunerações dos nossos depósitos, do que cobram quando lhe pedimos emprestado. Ao comprar e vender dinheiro, os bancos ficam com uma margem de lucro.

Mas grande parte dos lucros dos bancos advêm das comissões. Sempre que recorrer a algum serviço, o banco vai discretamente (muitas vezes sem o informar) cobrar-lhe uma pequena percentagem sob a forma de comissão, que parece inofensiva mas que facilmente atinge umas centenas de euros ao ano. Abertura e encerramento de contas, livros de cheques, transferências bancárias, comissões de corretagem, comissões de guarda de títulos, pagamentos de juros e dividendos, penalidades por descobertos, arredondamentos, utilização de banco online, enfim... Todos aqueles custos tão ridículos podem somar quantias... bem... obscenas.

Outro factor a ter em conta quando se relaciona com o seu banco é que este vai tentar vender-lhe de tudo. Os bancos dos nossos tempos já não são bancos, são supermercados. Scooters, jóias, seguros, viagens, planos de poupança, acções e obrigações do próprio banco, fundos de investimento, crédito pessoal, cartões de crédito, tudo se vende no banco! Tudo serve para reter o máximo do seu rendimento disponível no banco. A variedade e complexidade de produtos e serviços financeiros atingiu um nível tal que, se não prestar atenção, verá como o banco facilmente lhe cativa todo o seu dinheiro - torna-se rapidamente num escravo do banco.

Para equlibrar um pouco as forças, e fazendo fé na nossa relação de "banco-dependência", vamos colocar-nos antes na posição de negociadores. Vamos aproveitar-nos do mercado livre e da concorrência bancária feroz. Hoje em dia, a domiciliação do salário e a fidelidade de um cliente de classe média vale ouro para qualquer banco! A concorrência tem a virtude de favorecer o cliente.

Analise cuidadosamente até que ponto precisa realmente do banco e dos seus serviços. Terá de perder algum tempo a negociar com diversos bancos até encontrar o melhor negócio possível. É como na comprar  um automóvel: não vai conseguir um grande negócio se entrar no stand e mostrar todo o dinheiro que pode gastar. Da mesma forma, não vai conseguir um grande negócio num banco se não investigar vários bancos e perguntar quanto cobram pelas comissões. Isso mesmo: perguntar o custo das comissões de todos os serviços que compra, pode ser revelador e se não pergunta, não sabe.

Faça cross selling ao contrário.

  • Tal como o banco lhe vai propor a subscrição de uma gama cada vez maior de produtos e serviços, use essas propostas a seu favor exigindo sempre algo em troca. Por exemplo, um banco pode permitir que passe cheques sem encargos se tiver acções em carteira ou se domiciliar o seu salário. Se estiver interessado num fundo de acções comercializado pelo seu banco, proponha uma redução do spread do seu crédito à habitação. Tal como o seu banco procura cativar o máximo do seu rendimento, faça o mesmo com os produtos e serviços do seu banco. É justo.

A ilusão do dinheiro

A inflação pode absorver rapidamente o que ganha num banco. Mesmo com uma taxa de inflação baixa, o aumento anual do custo dos bens e serviços costuma ultrapassar o que os bancos pagam nas contas a prazo. Isto pode não ser supresa para si, mas a ilusão do dinheiro é mordaz: a maior parte das pessoas prefere ver um aumento de 8% no seu salário num cenário de inflação a 10% do que um aumento nulo com inflação a 2%. Desde que o valor nominal do dinheiro aumente, cremos sempre que o seu poder de compra aumenta também, o que não é verdade.

O mesmo acontece com os juros dos depósitos bancários. Desde que aumentem nominalmente, os depositantes acreditam que o seu dinheiro está bem investido - o que também não acontece pois a inflação destrói secretamente o poder de compra desse dinheiro.

Alguns activos financeiros permitem, no entanto, combater a inflação no longo-prazo:

  • Um desses activos são os fundos de investimento imobiliário, dado que o valor dos imóveis e das rendas tem tendência para se valorizar acima da inflação no longo-prazo;

  • Pode investir em títulos da dívida pública, como certificados de aforro ou obrigações do tesouro, por exemplo, dado que têm a garantia de cumprimento do Estado e que apresentam rentabilidades superiores à inflação,

  • Depósitos a prazo de taxa variável. Alguns depósitos a prazo permitem obter ganhos indexados à taxa de inflação, protegendo-o assim contra a deterioração do poder de compra.

O que precisamos agora não é de um salvador nem de um guru, mas de um movimento activo de forma que, independentemente da sua cultura, as pessoas trabalham em conjunto para compreender as dificuldades locais. Não esstou a dizer que esta é a resposta difinitiva. não existe resposta difinitiva para nada.

Reg  Evans, atleta


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Úlima modificação em Quarta, 29 Dezembro 2010 22:58