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Planeamento financeiro... com optimismo!

Escrito por  Admin
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O ano de 2011 começa com muitas nuvens cinzentas no horizonte. A julgar pelas notícias das primeiras páginas dos jornais e pelos comentários  que vamos ouvindo de amigos, familiares e colegas de trabalho, estamos mesmo a deixar-nos afundar novamente em pessimismos inúteis.

Se as coisas vão mesmo ser assim tão difíceis, então o melhor é começarmos já a prepararmo-nos com tudo o que temos à mão para nos ajudar na travessia deste deserto:

  • Definir objectivos financeiros;
  • Fazer um orçamento familiar,
  • Reduzir o consumo e aumentar a poupança,
  • Repensar as nossas decisões de investimento.

No nosso artigo sobre o poder do juro composto, era nossa intenção demonstrar como é possível acumular uma riqueza significativa sem grande risco nem esforço, poupando, investindo e reinvestindo os ganhos obtidos. Achamos agora oportuno dar um passo atrás e relembrar que a poupança e o investimento só fazem sentido quando são sistemáticos e sustentáveis. Queremos com isto dizer que de nada serve investir muito num mês ou ano, se no mês ou ano seguinte, vamos gastar novamente toda a poupança acumulada.

Devemos estar em condições de abdicar de um pouco do nosso rendimento presente, sem prejudicar significativamente o nosso estilo de vida, para que seja possível obter uma riqueza superior no futuro.

Não vamos a lado nenhum sem objectivos

Independentemente da situação financeira de cada um, é importante saber exactamente qual é o valor do nosso património, do nosso rendimento e das nossas despesas mensais. Tal como nas empresas, as famílias devem ter demonstrações financeiras: balanço, demonstração de resultados e demonstração de fluxos de caixa - ainda que de forma aproximada, claro (não queremos estar sempre a contar todos os tostões). Conhecendo com rigor o que temos, estamos em condições de evitar erros, surpresas desagradáveis e preparar o futuro.

A definição de objectivos financeiros tem, na nossa opinião, duas grandes vantagens: obriga-nos a uma certa disciplina financeira e motiva-nos a fazer sempre melhor. Paradoxalmente, quanto melhor formos capazes de definir os nossos objectivos financeiros e avaliar a sua concretização, menos preocupados com o dinheiro estamos no nosso dia-a-dia. Se, a dado momento, não formos capazes de alcançar os objectivos a que nos propomos, então talvez seja preferível baixar um pouco o nível de dificuldade ou procurar novas soluções. Mas uma coisa é certa: se não definirmos objectivos financeiros, mais cedo ou mais tarde, uma surpresa inesperada irá tirar-nos o sono.

A definição de objectivos financeiros deve ter em conta o nível de vida que ambicionamos e a nossa idade. Pode definir para si próprio que pretende poupar €1.000 por mês, por exemplo; ou, se for muito difícil, pode definir uma percentagem constante do seu rendimento mensal: 10%, por exemplo. Seja qual for o montante que consegue poupar, o mais importante é saber que esse montante, por muito pequeno que pareça, tem um impacto muito grande no longo-prazo. Veja qual o impacto das suas poupanças no longo-prazo, nas nossas calculadoras financeiras.

Se não está em condições de sobreviver financeiramente, se gasta mais do que ganha, então deve procurar aconselhamento financeiro profissional o quanto antes, pois isso é sinal que está a deteriorar o seu património financeiro. Contacte a DECO ou uma empresa especializada que o ajude a consolidar todos os seus créditos num só, procure novas fontes de rendimento, mas faça alguma coisa rapidamente e defina objectivos. Não vamos a lado nenhum sem objectivos.

Fazer um orçamento familiar

A construção do orçamento familiar é uma peça que, à semelhança do que acontece nas empresas, serve de reflexão e discussão (no bom sentido, entenda-se) sobre a afectação dos recursos financeiros num determinado espaço de tempo.

Sugirmos que a unidade temporal de referência seja o mês, pois é o período que normalmente coincide com a maioria dos rendimentos e das despesas. Pode começar por considerar o seu rendimento mensal líquido e todas as despesas fixas, sobre as quais não tem grande possibilidade de influenciar no curto-prazo: prestação da casa, carro, transportes, alimentação, energia doméstica, educação dos filhos, etc.

Se a sua família é como a maior parte das famílias portuguesas, vai ver que existem duas variáveis que afectam de sobremaneira as suas finanças pessoais: as taxas de juro e os custos com combustíveis (surpresa!). Para isso, deixamos-lhe aqui mais uma folha de cálculo (mais uma!) que o vai ajudar a estimar os custos com a prestação da casa e os custos com os combustíveis.

Simule o que acontece quando por exemplo, num empréstimo a 30 anos de €100.000 a taxa de juro baixa de 5 para 4 por cento. Verá que a prestação mensal  baixa €59.4, o que se significa uma redução de mais de 21 mil euros de juros ao longo de toda a vida útil do empréstimo!

Agora pense: quanto tempo de poupança representa 21 mil euros? Um ano, dois anos? Talvez até mais.

Por isso é que a compra de uma casa e respectivo empréstimo à habitação é com certeza a decisão financeira mais importante que qualquer família toma.

No que ao empréstimo diz respeito deve ponderar bem:

  • a escolha e negociação com o seu banco,

  • a renegociação com o seu banco, assim que tenha mais poder negocial (ie: um perfil de risco mais favorável),

  • a vida útil do empréstimo,

  • a opção por taxa fixa ou variável.

Na mesma folha pode calcular também os seus custos com combustível em função do consumo, número de quilómetros mensais e respectivo preço por litro.

Neste momento já temos os rendimentos líquidos e os custos fixos. Falta-nos calcular os custos variáveis, ou seja, aqueles sem os quais poderíamos viver perfeitamente: Televisão por cabo, ginásio, Internet, jantar fora, etc. Aqui as coisas complicam-se um pouco...

Claro que poderíamos viver perfeitamente sem estas coisas, mas a não ser que queira viver como um eremita, não vai conseguir abdicar de muitos destes bens e serviços, que progressivamente se foram tornando "indispensáveis". Nem vale a pena, na nossa opinião. O que vale a pena certamente é livrar-se dos cigarros, do excesso de centros comerciais, do excesso de gordura e do excesso de viagens de carro. Aqui, normalmente, menos significa mais: quanto menos consome, mais feliz, mais saudável, mais ecológico e mais rico!

Por fim, e para evitar uma preocupação excessiva com o dinheiro, deve considerar no seu orçamento familiar duas rubricas de custos muito importantes: os custos cuja periodicidade é maior do que o mês (seguros, imprevistos e férias, por exemplo) e bens de investimento (compra de um novo automóvel, manutenção doméstica, etc). Este tipo de custos deve ser periodificado mensalmente de forma a que mesmo que não ocorra uma saída de dinheiro todos os meses, exista uma almofada para prevenir a chegada destas despesas, que por regra são elevadas.

Repensar as nossas decisões de investimento
Este ano vai ser certamente mais um ano de grandes incertezas e dificuldades. Mas algumas oportunidades interessantes de investimento poderão surgir ainda durante 2011, pelo que convém estar atento.

Se o seu orçamento familiar o permitir - e só nesse caso - considere a possibilidade de reduzir a duração restante do seu crédito à habitação. Todas as previsões dos economistas apontam para a manutenção das baixas taxas de juro, pelo que poderá ser interessante manter (ou mesmo aumentar) a sua prestação mensal em troca de um empréstimo mais curto. Vai acelerar a amortização do seu empréstimo pelos dois factores em conjunto: menor taxa de juro e menor número de prestações remanescentes.

Esta é uma medida um pouco arriscada e que não está ao alcance de todos, claro. Mas pode ser bastante eficaz na redução da dívida bancária se o seu banco não lhe cobrar comissões demasiado elevadas.

Outra oportunidade poderá estar na bolsa já este ano. Se mantiver uma perspectiva de longo-prazo, vai encontrar várias empresas em sectores estáveis que estão subvalorizadas e que oferecem neste momento oportunidades de investimento muito interessantes. Mantém-se aconselhável uma visão de investimento a longo-prazo e a fuga de estratégias de investimento mais exóticas. Esqueça a Grande Depressão e a desvalorização de mais de 50% do PSI 20, porque provavelmente 2011 será um ano bom para entrar em bolsa!

O dinheiro é uma coisa singular. Faz par com o amor como a maior fonte de alegria para o homem. E com a morte, como a sua maior fonte de tristeza. Por toda a história, oprimiu quase toda a gente numa de duas formas: ou foi abundante e muito incerto, ou então seguro e muito escasso.

J. K. Galbraith, economista


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Úlima modificação em Quarta, 29 Dezembro 2010 23:02