| Investir a curto e a longo prazo |
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Os motivos para não se conseguir acumular uma riqueza significativa são variados e pessoais. Mas, obviamente, um mau plano ou a inexistência de qualquer plano não ajuda. Não ser capaz de criar, desde cedo, um espírito de investidor pode dever-se a fracos resultados de investimentos passados ou por não se ter adquirido uma "educação financeira".
Investir a longo prazo compensa Mas por que é que alguém se há-de dar ao trabalho de aprender o essencial sobre finanças e investimentos? Simplesmente porque investir a longo prazo compensa. Pense que se investir uns míseros €1000 em índices S&P durante 30 anos, adicionando apenas €500 por ano, e que se o retorno médio anual for de 9% por ano, o investidor vai acabar por conseguir €80 000. Se o investimento inicial for de €2000 e se depositar €100 por mês, conseguindo o mesmo retorno anual, consegue-se €310 000 em 40 anos! Este "investimento com objectivos", com um resultado final definido, é alimentado pelo poder do juro composto e pela disciplina e pode ser implementado sem se perder muito tempo com pesquisas diárias. O problema desta abordagem é que algumas pessoas não têm tempo ou disciplina para investir a longo prazo para que esta estratégia compense. Os ciclos económicos provocam recessões a cada 5 a 10 anos, o que leva a que alguns investidores desistam a meio do percurso. Se investiu no PSI20 no início do milénio, o mais certo é estar a perder dinheiro quase uma década volvida. Por outro lado, investir a longo prazo implica reter o dinheiro durante grandes períodos de tempo, o que implica abdicar do seu usufruto (quantos investidores estão dispostos a trocar de carro de 10 em 10 anos?) Se investir a curto prazo faz mais o seu género... Para os mais agressivos e com mais poder financeiro para acompanhar os mercados diariamente, pode compensar seguir uma estratégia a curto prazo, o chamado 'day trading'. Como sabemos, os mercados oferecem sempre oportunidades para ganhar dinheiro. Inúmeras e infinitas oportunidades... Basta pensar no Mercado de Câmbios, o chamado 'FOREX'. Com o Euro a subir em relação ao Dólar, de 1,3562 a 15 de Maio para 1,4148 a 29 de Maio de 2009, um especulador podia ter feito um lucro de 586 pontos (ou pips como os especialistas lhe chamam). Dependendo do grau de alavancagem que tinha na conta, esse movimento poderia resultar em pelo menos 10% de lucro nesse curto período. Os investimentos a curto prazo são normalmente muito líquidos, logo podem ser facilmente convertidos em cash, no caso de ter uma emergência pela frente. Mas como os mercados de hoje em dia são bastante eficientes, os retornos elevados só são alcançam com riscos igualmente elevados. Isto traduz-se em lucros (e prejuízos) voláteis que oscilam drasticamente de mês a mês, desde o negativo profundo ao positivo eufórico. Devido a este risco inerente, o investidor que siga uma estratégia de curto prazo não pode arriscar dinheiro que não se pode dar ao luxo de perder. Por isso, não é aconselhável usar o dinheiro da renda ou das compras do supermercado para apostar em FOREX ou noutros activos de grande nível de risco. O paradigma do horizonte temporal de investimento e a inflação Se acha que tudo isto é demasiado arriscado para ponderar, tem de compreender que tudo acarreta uma certa dose de risco. Um estado mental que nega a existência do risco ocorre quando o risco nem sempre é visível. Vejamos, por exemplo, o caso dos depósitos à ordem: depositar dinheiro num banco pode não por em risco o seu capital inicial, mas o risco de o dinheiro perder o seu valor ainda existe, graças à inflação. O que poderia fazer com €100 há dez anos atrás, e o que pode fazer hoje com o mesmo montante?
O valor do dinheiro cai 90% a cada 30 anos. Se mantiver uma conta à ordem com um saldo de €25.000 durante 30 anos e se a inflação for de apenas 4% ao ano durante esse período, o valor que teria de acumular para manter o mesmo poder de compra seria de €81.085! É este o poder corrosivo da inflação no longo prazo.
Investir a longo prazo compensa, mas é sempre aconselhável manter uma boa fatia da sua carteira em activos protegidos da inflação, como imobiliário, metais preciosos ou commodities. É preciso defirnir claramente o horizonte temporal dos investimentos que se fazem. Investir a longo prazo ou viver o 'trading' do dia-a-dia dependem do seu perfil de investidor, da dimensão da sua carteira e dos seus objectivos financeiros. Por isso, por favor lembre-se do que os antigos especuladores diziam: "touros e ursos fazem dinheiro, os porcos são cortados às fatias".
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Finanças comportamentais